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[Segunda-feira, Outubro 30, 2006]
if only Nos dias em que eu mais preciso da flor, ela se fecha, como que se escondedo do sol. E eu vejo de fora as suas pétalas coloridas, teimando em serem pretas e brancas. Ela brilha quando quer, e ilumina. Sacia sedes com quase nada de orvalho. Acalma o coração e faz parecer que o mundo é um enorme campo verde, onde ela reina, única e majestosa. Deitado no campo verde eu vou sentindo o cheiro de tantas outras flores, aguardando o dia em que a flor se abrirá pra mim, de verdade, como nunca. Ah, será? Eu sou céu e mar Eu sou seu e fim 09:17
[Domingo, Outubro 29, 2006]
pozinho É. Parece que a minha vida continua sendo o mesmo eterno descompasso. ____________________ Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter Ter deve ser a pior maneira de gostar (José Saramago) 03:22
[Quarta-feira, Outubro 25, 2006]
do you think i'm crazy? Cereal matinal é a maior invenção de todos os tempos de todas as humanidades de todos os universos. Hoje eu perdi a hora, acordei azoado; vou na mesa da cozinha e quem encontro? Sim, sim. O cereal matinal, aberto, escancarado, exalando seu aroma pelo ambiente, reluzindo o brilho do seu invólucro plástico-metálico. Abro a geladeira e quem me aguarda? A caixa de leite, com uma fenda, quase pornográfica, me seduzindo com seus líquidos libidinosos. Um prato fundo (que é outra invenção maravilhosa, meticulosamente planejada por doutores marcianos, nos concedida de maneira mágica através do velho Nostradamus e suas inspeções astrológicas), cereal, leite, colher e pronto. O café da manhã mais rápido de todos os cantos do mundo. E gostoso ainda por cima. Com nutrição completa pra um filhote de elefante húngaro-africano. 137 vitaminas, 236 sais minerais, coliforme fecais e barulhinho cocrante. E foi o que salvou pelo menos 10 minutos da minha folha de ponto. Só faltou a morena-carente passeando de calcinha pela sala enquanto eu saboreava o desjejum. Melhor? Só duas caixas de cereal. E duas de leite. E duas morenas. Nuas. As caixas e as morenas. 14:34
[Segunda-feira, Outubro 23, 2006]
choose your weapon Eu já havia desistido de entender as mulheres há muito tempo. Agora eu só tenho de resisitir a qualquer dúvida relacionada a elas. Simples. A dúvida vem e eu faço um leve esforço pra ocupar minha cabeça com outro pensamento. Por exemplo, eu não consigo entender essa paixão que mulher tem por homem calhorda. É absurdo. Eu até entendo que não se dê valor a homem pateta. Ninguém valoriza pessoas idiotas, boazinhas e tudo mais. Mas frequentemente você vê mulheres reijetando/desvalorizando os caras que estão ao lado ou tentando ficar ao lado delas. Ou felizes, mas acomodadas. Ou chutando de vez quem está junto e correndo atrás de quem não lhes dá atenção. Eu já presenciei várias dessas situações. Também já estive dos dois lados, ou dos três. Já fui o completo pateta e fiquei abandonado. Já fui o equilibrado e não foi tão lindo assim. Já fui o cafajeste disfarçado e, bingo; elas agem como dita a lei intrínseca do relacionamento feminino. Tem uma outra coisa que eu até entendo, mas me mata: mulheres que colocam homens na geladeira. Outro dia eu conversei com uma amiga, que tem um amigo louco por ela. Ela não deixa claro que não vai rolar nada com ele. Ao invés, diz que não gosta dele o bastante pra levar um relacionamento. Mas não despacha o pobre pelo correio. E o pateta ainda espera. Até o dia em que ela acha um calhorda e o pobre do amigo fica chupando o dedo. Tem cabimento? Update: O amigo da amiga passou a ser mais que amigo. Diz a amiga que isso é uma tentativa ("de ser feliz"), mas que a cabeça dela anda em outro lugar. Posso matar? 17:37
[Quarta-feira, Outubro 18, 2006]
do you? Sentimentos a gente sempre sente. Mas quando é aquela hora em que sentimentos parecem ser mais do que a gente? Em que as coisas parecem ser tão intensas que chega a sentir-se a textura de tudo isso que caminha por dentro? É aquela hora em que o feio é triste; e o belo... ah, ainda mais triste. É a hora em que tudo, tudo parece se tornar... simplesmente triste. É quando a gente só precisa de um abraço. E o abraço mais necessário se encontra a milhas de distância, preocupado em tantos outros braços e abraços por aí. É quando a gente se sente mais incompreendido do que tudo; e bate aquela vontade de mandar todos irem pros raios que os destruam ao meio e sem piedade. Quando conselho passa a ser um punhado de palavras sem sentido diante do mundo que ferve por dentro. Quando o maior consolo é o silêncio mais próximo. Quando tudo que a gente menos quer é conselho. É quando a tristeza torna o comum belo, como se tivessem trocado as lentes dos nossos olhos; e apesar de tudo tão doído, o mundo torna-se sereno. Serenidade torna-se uma constante, como se nada pudesse nos tirar do torpor desses momentos. Mas no fim de tudo, a consciência das pequenas coisas é o bastante pra mais algumas horas. É quando cada palavra de uma música soa perfeitamente encaixada em nossas vidas, fazendo o coração bater no mesmo compasso. Quando compartilhar o mundo é uma primazia e, ainda assim, uma impossibilidade. Afinal, nessas horas, quem entende? Quem sente? Ninguém sente. 22:33
[Segunda-feira, Outubro 16, 2006]
ameba Se há duas criaturas que eu não gosto são: Glória Maria e Paulo Coelho. Pior ainda, os dois juntos. Do Paulo Coelho eu não gosto por puro preconceito. Até hoje nunca li um livro dele. Agradeço se alguém quiser me emprestar. Mas depois de vê-lo na tevê, a antipatia gratuita ganhou bônus, juros e multas. O cara fala como se os dentes da arcada inferior estivessem ligados aos da superior. Não é uma língua presa, é mais estranho. É feio. Mas no fundo eu o admiro. Apesar de todas as críticas que ele recebe enquanto escritor, ele é o mais lido em trocentos países. Isso eu respeito. Já a Glória Maria me irrita pelos comentários imbecis. Depois que eu descobri que ela dá chiliquinho quando falam sobre a idade dela, então... ihh... piorou muito. O que ela fala é irritante. A voz dela é irritante. Ela consegue passar uma imagem tão fútil que me dá asco. Eu quase começo a gostar dela depois de tê-la vista esboçar uma tirada de meleca quando o quadro que deveria entrar no ar simplesmente não entrou. Mas ela se corrigiu a tempo e deu uma disfarçada, como se coçasse o nariz. A bomba explodiu mesmo foi hoje, ao assistir ao Fantástico. Glória Maria e Paulo Coelho fazendo uma viagem pela Sibéria. Maravilhosos 9.228 Km percorridos de trem pela ferrovia Transiberiana. O Mago e a Anta juntos durante um mês, falando besteira. Ela e a sua voz de bunda e ele com a sua boca presa. Vai ser lindo, eu sabia. Lindo mesmo foi ver ela perguntar, no início da reportagem, o que ele estaria procurando nessa viagem. Até ele deve ter achado a pergunta imbecil, deu uma enrolada e não respondeu. Não satisfeita, prestes a embarcar, ela pergunta novamente. Ele não vê pra onde correr e dá uma tirada: se eu soubesse o que vou encontrar, não faria essa viagem; vamos ver o que a gente vai descobrir. Ele estava com um sorriso meio sem graça, mas só faltou dizer no fim: né minha filha?, dando uns tapas na cara dela e dizendo: cale esta tua boca, sua cachorra. Tá, eu é que faria isso. As pessoas... eu não sei. Por que é que toda viagem tem de envolver alguma experiência mística, sexual, etérea, pseudo-libertária e estimulante? Eu nem gosto de viajar. Mas quando viajo, os objetivos e expectativas são bem definidos. Tudo bem que viajar de trem pela Rússia é bem mais chique, mas isso implica em ter de encontrar o fantasma de Lenin passeando pelas montanhas gélidas, carregando alguma mensagem do além que vai mudar a sua vida? No máximo, vale dizer que uma viagem vai abrir seus horizontes [assim, de maneira bem vaga, senão perde a graça]. Na prática, dizer que vai ver alguém e conhecer tal lugar. De resto, pula. 01:27
[Domingo, Outubro 15, 2006]
dvd & cine Efeito Borboleta 2: não é como o primeiro. Tem menos voltas no tempo. Cenas de sexo em excesso. Violência gratuita. E a Lois Lane de SmallVille. Ou seja, um ótimo filme.
O Código da Vinci: história absurda. Mas intrigantemente bem contada. Metade da graça está na Audrey Tautou, de cabelo grande, falando inglês com aquele sotaque francês delicioso, e com aquele sorriso embriagante. 21:18
[Sábado, Outubro 14, 2006]
let me go? Eu queria que a frase imbecil que diz "você é responsável por tudo aquilo que conquista" sumisse da minha cabeça. Simples. Eu não quero ser responsável por mais nada. Alguém se responsabilize por mim. E me deixe conquistar. 19:58
[Sexta-feira, Outubro 13, 2006]
exausto? Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri. Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. Amei e odiei como toda gente, Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. Alváro de Campos, em Passagem das Horas 13:47
[Quarta-feira, Outubro 11, 2006]
me largue Eu tenho o hábito.mania.psicopatia de me interessar pelas coisas que os mais próximos se interessam. Coisas que antes eu nem dava muita bola, mas que pela convivência e carinho, acabo me interessando pra não ficar de fora. Passeando pelo site da uol eu vi esse tal de 20º Prêmio Design MCB. Muito bom e eu nem entendo nada disso. É só pelo agrado óbvio que os objetos lá trazem aos olhos. E pela vontade primária de pegar [isso foi meio gay], feito criança. Mas dá uma olhada nos ganhadores. Eu curtiria muito ter uma garrafa feito essa ao lado na minha geladeira. Por mim, minha casa seria toda assim, designiosa, talvez numas cores menos impactantes, mas ainda assim estilosa e piro-técnica. O que eu gostei mesmo foi do tal assento de vaso slow motion. Imagine que chique, fechar a tampa em câmera lenta. Chega a ser apoteótico. Se a Cicarelli tivesse uma dessas em casa, não teria saído pra fazer cocô no mar espanhol.
Meu velho irmão [que não é de sangue, mas é irmão], chato pra cacete e genioso feito a peste, cursa design ;) Além das coisas óbvias de informática pra me interessar há: psicologia [tudo bem que eu ainda tenho medo de psicólogos e sua mania de nos analisar em tudo que falamos, anyway], engenharia florestal [não, não é uma piada], jornalismo [óunn] e, logo, medicina [na torcida, querida]. Por obséquio, façam cursos e tenham profissões legais. Nada de ficar fumando maconha por aí. 09:52
[Terça-feira, Outubro 10, 2006]
abril Ah, eu gosto de bimbar com um cotonete pendurado em cada ouvido. Essas mulheres que saem na seção de frases da Veja... eu não sei, não. Semi-nuas, semi-decotadas ou enfim. Todo mês [eu acho] tem revista Boa Forma nas bancas. Todo mês sai na Veja um trechinho do que elas falaram na Boa Forma. Tudo bem, tem que colocar uma gostosona, ou não tanto, na revista pros marmanjos ficarem felizes. Mas eu não entendo por que as gostosonas sempre têm alguma coisa polêmica pra falar. Ou íntima demais. Ou sem noção demais. Ou fútil demais. Lembrei que outro dia a Mariana Ximenez [pausa para respirar fundo] disse que curtia um jazz, mas não deixava de subir o morro pra ouvir um funk. Menos mal. Mas ainda assim feio. Pior quando tem mulher falando da bundinha da outra, falando do próprio peitinho. Do que ela comeu ou deixou de comer. Da cena de sexo tal que ela fez com não sei quem. Me diga, essas mulheres são pagas para fazerem isso? Toda revista Boa Forma a mulher da capa diz algo digno de estar na Veja. Será que elas se esforçam? Será que há um ghost writer por trás de tudo isso? Não é possível que todo mês uma mulher tenha uma besteira dessas pra falar. Por isso eu vou morar em Jagatah, com Sandy. -Err? -Nenhuma palavra. 23:31
[Segunda-feira, Outubro 09, 2006]
carnaval em rede O problema da internet é que ela nasceu fadada a ser linda. A internet é uma obrigação. Sim, eu me sinto obrigado a ter um blog. Eu já tive uns 3 ou 4 ou 1000. Em lugares diferentes. Sempre os apago. Sempre os refaço. Todo mundo tem, eu não posso simplesmente deixar de ter. E escrever em cadernos que ficarão guardados não tem graça. A internet é um impulso para a democaria. Uma democracia involuntária, digamos. Eu dediquei muitas e muitas horas pra fazer esse template. Se alguém quiser, é só pegar. Não há como esconder, como guardar. A internet é um estupramento de democracia. Se você quiser saber se alguém namora, entre no orkut. Simples. Se você quiser saber alguma coisa sobre mim. Problema seu. Eu não tenho orkut. Internet é uma democracia às avessas. Na democracia real, se a maioria quer, acontece. Na internet, se um quer e vazou pela rede, já era. Eu ainda tenho uma teoria. O assunto é antigo, mas eu acho que a Cicarelli na verdade queria fazer cocô na água. Lógico. Se eu quisesse fazer cocô no mar, sem que ninguém desconfiasse, eu simularia um sexo sub-aquático. Ela ainda saiu lucrando. É melhor chamarem-na de tarada do mar do que de cagona das águas. É ou não é? 22:55
everyday Eu queria lembrar quando foi a última vez que eu ouvi alguém me dizer algo de bom que não viesse seguido de um porém. Agora as coisas resolveram acontecer seguidas de um porém. Viva. -E? -Cai fora, Aris. 15:18
[Domingo, Outubro 08, 2006]
neighborhood Por que é que não acontece de uma vizinha completamente linda, inteiramente carente e leitora compulsiva de livros se mudar para o apartamento ao lado? 21:53
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