[30.11.06]
timbaland Mensalmente eu sofro problemas relacionados à falta de música. Nos últimos dois ou três meses eu escutei Jamie Cullum, seguido de Hoobastank e The Kooks. Por fim, 3 Doors Down em paralelo a Pato Fu. Ouvi tudo até causar distúrbios pseudo-fosfóricos no meu próprio ecossistema. Entrei em abstinência, nada de surgir banda nova; e agora José? Tá. Resolvi apelar. Black Eyed Peas. Humberto tinha um CD inteiro na máquina dele; não custava ouvir. Decidi vencer todos os meus preconceitos em relação ao hip-hop, ou que raios seja aquilo e, pausa; é muuuuuito bom! Affe, maria. Dê-me um murro, um tiro e me atropele. Excelente. E há uma poesia implícita naquilo tudo que é bela demais, toca meu coração. Por exemplo, quando o will.i.am canta em My Humps: what you gonna do with all that ass? All that ass inside that jeans? É lindo demais. E a Fergie ainda responde: i´m gonna make you scream, make you scream, make you scream. Eu choro ¬¬ Ooook, parei. Mas o treco é bom mesmo. Recomendo e não perguntei nada a ninguém. O problema vai ser quando minha mãe pegar meu carro, inocentemente apertar o botão on do player e aquele treco desorientar o juízo dela no volume máximo. A única coisa que ela vai pensar é: meu Deus, meu filho se perdeu. E eu vou ter que escutar muito. ___________________ Venci meus preconceitos uma zorra. Black Eyed Peas é absurdamente bom, a Fergie, aquela loira inspiradora, é uma deusa; o will.i.am é um negão lindo demais, mas o resto das bandas do gênero continua sendo uma porcaria. Urgh. E olhe que eu ouvi um CD inteiro do OutKast. A única música que presta deles é Hey Ya! mesmo. Além dessas criaturas, o Justin Timberlake tem umas duas músicas boas também =]
00:58 -
[29.11.06]
morreu E em sua lápide foi escrito: Jaz aqui Paulão dos Santos 70% sexy 90% confiável 80% legal 256 amigos ___________________ Não é minha culpa detestar aquela porcaria =]
01:04 -
[28.11.06]
rainha do deserto Assim, eu acho que aquela velha descarada do Titanic devia tropeçar, bater a cabeça no batente do barco, abrir uma fenda na testa, sangrar loucamente e agonizar por uns 20 minutos, se afogando no próprio sangue, sem que ninguém a ajudasse. Até morrer, obviamente. Isso pouco antes dela jogar o diamante monstro no oceano. Filme rídiculo. O pobre do Jack não deveria morrer [até hoje eu me emociono], e aquela velha safada não devia jogar o diamante no mar. Tá. Que o Jack morresse. Mas salvassem o diamante. Desperdício me dói até no cinema. Eu sou do tipo que assiste filme de ação me contorcendo com o tanto de armas e balas que os mocinhos e vilões deixam pra trás. Pior, quando se trata de assaltos. Os caras conseguem pegar com muito sacrífico duas sacolas de dinheiro e a terceira fica lá no chão por causa de pressa, políciais, um tiro no braço ou uma mera facada na perna. Tsc, são uns fracos mesmo. Por isso, todos devem morrer dolorosamente. E ainda serem chutados no fim. Vocês já viram aquele filme em que aquela loira... errrmm, como é o nome dela?, Jodie Foster, fica preso naquele quarto do pânico? Durh, tio Google me disse que esse é o nome do filme: O quarto do pânico. Mas tá, no fim do filme o cara ia ser preso e se vê obrigado a jogar pelo ar os títulos que valiam o dinheiro pelo qual ele tanto se esforçou [eufemismo?]. Dá uma tristeza. ___________________ Coisa que irrita mesmo é a tradução dos nomes dos filmes do inglês para o português. É tanta aberração que faça-me o favor.
07:42 -
[27.11.06]
somos todos uns brutos Eu sou contra o sim. De uma maneira geral. O sim é muito frio. Eu tento utilizá-lo somente quando preciso de privacidade ao telefone. Acho que nossa sociedade está mais acostumada com respostas que envolvam verbos. Por exemplo, se alguém pergunta: você vai?, geralmente se responde: eu vou. Mas quando você diz simplesmente sim, no final fica aquela coisa fria e sem graça. Eu acho. O sim pede um complemento. É sempre melhor responder com verbos: eu quero, eu fui, você pode. Tipo: -Você a ama? -Sim. -... -... -Ok. Ou: -Você vai se atrasar para a reunião? -Sim. -... -... Você responde assim e o sujeito sai pensando coisas ruins ao seu respeito. Ou te xingando na parte interna das células. Eu pelo menos sempre acho que alguém não deu uma bimbada ontem de noite quando me respondem assim pela manhã. Mas a negação pura também é feia. Um não seco e ríspido. Não. É sempre melhor um ah, nem ou a negação dupla, dita pausadamente: não, não. Saco de sociedade. Mas a mania do sim tá me pegando. Me largue. Inclusive acredito que é por isso que quando eu viajo pra algum lugar eu acho as pessoas frias. Elas se limitam ao sim e ao não. Ou eu errei em algum lugar. Pior que isso só as frases sem sujeito e no infinitivo que as pessoas trocam por e-mail dentro das empresas: pegar impressão na sala dois. Verificar problema na máquina do suporte. Entregar documentação até a sexta-feira. Horrível, horrível. ____________________ Pragmatismo, tudo bem. Mas não vamos esculhambar, né?
01:15 -
[26.11.06]
ô droga Ao longo desses anos eu conheci muita gente através dessa internet horrorosa. O legal é que eu fiz bons amigos, tive boas paixões, arranjei bons sofrimentos, inúmeros arrependimentos, ótimas dores de cabeça. Isso por que não ficou só no virtual. Por exemplo, a muquecada de brasília que eu conheci no meio do ano. E dói demais ter gente que você gosta lá longe. Mas tá. Então: 1. Eu não tô nem um pouco a fim de conhecer mil amiguinhos que eu mal sei o nome. Ah, o fulano do blog eucomomacorranada.com? Sei, sei. Nah-na-nina. Gente pra mim tem nome. 2. Venha até a Bahia. E me avise. Juro que até mostro a porcaria do Pelourinho pra você. 3. Quando fizer um blog, coloque informações básicas sobre você, caramba! Esse negócio de anônimato inconsequente é da moda passada. Por exemplo, você entra aqui, sabe que eu tenho um nome estranho, 21 anos, moro em Salvador e no mínimo falo oxe. É um bom começo. No seu blog diga ao menos o seu nome, idade e de que raios de lugar desse Brasil você é =) O resto a gente descobre pelo que está escrito nos posts. Ou não. Obrigado. ____________________ Você sabe que uma pessoa anda bem da cabeça quando ela vai dormir às 16h, acorda às duas da manhã, come metade de uma pizza com refrigerante e encontra-se aqui. Esperando a rotação da terra terminar.
04:02 -
[25.11.06]
elemental Ah, se ela me deixasse amar. Aquele azul, aquele mar. Se eu amasse aquele azul, eu seria mar. Eu criaria ar, calma e brisas. Eu seria sal. Sabor naquele mar. Ah, se ela quisesse ser meu sol e me esquentar devagarzinho, assim num dia de verão. Subindo pelas costas, arrepiando pêlos em preguiças sazonais. Se ela quisesse ter meu chão, eu seria como areia entre os seus dedos, abraçando sua pele aos pouquinhos, deixando vermelhos poros esquecidos. Eu seria como nuvens em seus olhos; como chuva vespertina que molha o rosto, percorrendo seus lábios sem culpa. Aquele azul. Do céu, mar, do meu coração sem dono. Que brilha, e se vai pelo horizonte. Que insiste em ficar aqui perdido, me fazendo ser mar.
01:21 -
[23.11.06]
glórias a Deus Eu gostaria de dizer que valeu a pena ter usado aquela roupa social rídicula a tarde toda... por quê eu e minha dupla infalível tiramos deeeeeezzz no nosso trabalho de conclusão de curso! Uaaaaaaaaaaaaa raaaaaaaaaiiiiêeeeee! Muito obrigado a todo mundo que apoiou!
23:46 -
[22.11.06]
chill Onde foi que eu errei? Acho que primeiro pelo curso. Veja a arte: a turma marca festa na casa de algum colega e, ao invés de dar o endereço por escrito como seria comum, o que é que o anfitrião faz? Envia foto da sua casa obtida através do Google Earth pro e-mail de todo mundo. Óbvio! Agora pense numa foto de satélite, milhares de casas num quadrado, ruas, mar, vielas e um ponto dizendo: Casa de Zezinho. Mas que arrrrrtêe, meu filho. Como é que eu vou achar isso? E não é a primeira festa em que isso acontece. Não se dão ao trabalho nem de dizer em que bairro fica aquilo. Salvador é toda mar. Você recebe uma foto de uma casa perto do mar e se pergunta se isso fica no norte ou no sul. Daí desiste e pega o endereço por escrito com os colegas. Lindimais. ___________________ Nota: a defesa da minha monografia é amanhã! Tra-la-lá!
17:42 -
[21.11.06]
rambo Eu queria saber por que tanto super-herói usa cueca por cima da calça. Eu até entendo que o primeiro deles tenha sido criado assim, vai que o cara não tinha muita inspiração ou simplesmente fazia isso quando criança e quis reviver o hábito na sua criação. Mas por que essa arte se tornou uma tendência? Uma porrada sem fim de super-poderosos faz uso dessa coisa bonita. Superman [rídiculo], Wolverine [biba enrustida], Batman [esse, mais fashion que os outros, usa a cueca no mesmo tom da calça], Robin, Ciclope, Capitão América, Capitão Codorna [esse pode, além do cinto na cabeça]. Esqueci de quais? Ainda bem que agora eles estão passando por uma remodelada nos cinemas. Apesar de quê, a moda hoje em dia é super-herói usar roupa apertadinha de couro ou algum apetrecho de couro brilhando. Neo [bibona], Trinity e cia; Celine de Anjos da Noite [perfeição], Blade [foi molestado por um vampiro quando era criança, cresceu e ficou louca] e por aí vai. ____________________ Ultra-Violeta: filme ridículo, tanto efeito especial forçado e sem cabimento. Filmagem exagerada feito uma velha de botox. Mas que barriga é aquela? Shoot.
23:44 -
[19.11.06]
pasta de dente Será falta de vergonha? Eu não entendo. Esses donos.diretores que fazem propaganda do colégio e colocam suas filhas.sobrinhas banguelas para saírem nas fotos. Desde quando ver foto de menino banguela em propaganda de colégio é bonito? É a última moda. Toda propaganda de escola tem um guri desdentado, sorrindo, com cara de mamão. No fundo dos ônibus e nos outdoors. Será que é para as crianças se identificarem com o anúncio e pedirem pra papai matrícula-las naquela escola de gente sem dente e feliz? Afinal, se eu fosse um mongol banguela eu ia querer estudar numa escola onde há um monte de mongóis banguelas! Tá. Eu acho que a lógica de marketing é contrária, não? Colocar crianças bonitas, saudáveis e não-banguelas [por mais que banguelice seja natural à idade] fazendo com que as pobres crianças.porquinhas.capitalitas aspirem ser algo que não são? Então vamos mandar recado pra titio, pra papai ou pra mamãe que têm algum nível de poder na escola: não coloque seu filhinho.sobrinho.afilhado feio, mongol e banguela na propaganda da escolinha. Desse jeito, a propaganda fica igualmente feia, mongol e banguela, cheia de letras enormes e coloridas com o nome da sua instituição e uma criança ridícula no meio =O -Obrigado, tio. -Cai fora...
19:42 -
[18.11.06]
ok Vamos esclarecer uma coisa. Eu estou perto de terminar o curso de ciências da computação. No entanto, apesar da palavra computação estar intimamente, corporalmente, semântica, sintática, léxica e sexualmente ligada à palavra computador, eu não sei mexer em hardware e eu não presto serviços técnicos. De hardware eu entendo o suficiente pra trocar umas fontes, memórias, coisa e tal. Sei fingir que entendo de placa-mãe e só. Até sirvo pra formatar algum HD e reinstalar o Windows. No máaaximo, dizer que sua placa de vídeo não presta. Ou seja, compre outra. Portanto, eu não vou olhar o seu computador se ele estiver reiniciando loucamente. A não ser que você seja um amigo próximo, de tal forma que eu possa me arriscar a destruir brutalmente alguma coisa e ainda assim não sentir remorsos. Eu só entendo de software. Nada de geladeira, microondas, relógios, panela, macacos, boxe ou balé. :)
21:08 -
meios Como escrever que se precisa de amigos sem parecer fraco, carente ou desequilibrado? Eu preciso. De amigos que se importem e que se sintam bem comigo. De gente que não me julgue só por julgar e que esteja ao meu lado independentemente das minhas escolhas. Que tenha a coragem de discordar das minhas idéias, respeitando-as. Amigos que estejam comigo mesmo que eu pense de maneira oposta em relação às suas crenças, cultura ou concepções. Amigos que me digam a verdade com carinho. Que entendam que eu fiz escolhas pessoais bastante erradas no passado, mas que agora eu reconheço e preciso de ajuda pra construir tudo que abandonei esquecido. Eu preciso de amigos que entendam meus medos, saudades e tristezas. Amigos que na primeira briga não achem que é o fim. De gente que saiba pedir desculpas e valorizar atitudes. Gente que já tenha amado, e que também já tenha sofrido. De amigos que não passem o tempo todo tentando me convencer de que o seu ponto de vista é o correto. De gente menos intolerante, rude e mesquinha. De gente mais compreensiva, afável e cuidadosa. Amigos que vez ou outra tomem a iniciativa de me procurar pra bater um papo, não por pena ou obrigação, mas por que é agradável gastar um tempo comigo. Eu preciso de gente de sorriso fácil e ouvido atento, com coração sensível e que saiba o valor de um abraço. De gente equilibrada e de bem com a vida. Que não tenha medo de ser o que é, nem de sentir o que sente. De gente autêntica, com defeitos, medos e inseguranças. Que saiba reconhecer quando pisar na bola e que precisa mudar o jogo. Eu preciso de amigos que entendam os meus erros. Que escutem quando eu precisar falar, ao invés de abrirem uma torneira de conselhos. Que lutem por mim quando eu não tiver mais forças. Assim como eu lutei por muitos. Que entendam que se eu estou falando alto, ou até mesmo gritando, é por que, putz, tá doendo pacas. Amigos que saibam que vão encontrar essas coisas em mim. De gente que esteja perto. Eu preciso de amigos que me permitam ser humano. Mais humano.
13:43 -
[16.11.06]
das olheiras que eu nunca tive O céu desaba lá fora. Se eu fosse pouco mais egocêntrico, diria que desaba em concordância com a forma como eu me sinto. Constante, cinza, sem palavras. Um murmuro de infinitas gotas batendo pelas casas, carros, telhados. Uma enxurrada, levando tudo que encontra pela frente, alagando ruas e avenidas. A tristeza que eu sinto também não fala. Quase murmuros batendo pelo peito, pela garganta, percorrendo as costas; um mundo inteiro doendo pelo corpo. Um vento frio que vira a noite dentro de mim, que me tira o sono e o ânimo de sair da cama. Torpor de sentimentos que lavam qualquer pensamento, leva pela frente desejo, sonho; afoga esperança. Tudo se resume a nada. A um par de mãos vazias desenhando quadros sem cores. Se resume a esse grande cinza que eu me tornei.
13:13 -
[12.11.06]
[11.11.06]
jeans Passeio com o cachorro. Volto. Desço pela garagem. Esperando os elevadores estava a beldade. Da minha infância, adolescência e atualidade condominial. Cabelo preto, pele clara. Um tormento. -Boa tarde. Ela não ouve. A bomba de água resolve fazer um barulho sem fim no momento. Ela brinca com o cachorro, se abaixa, faz um carinho. A blusa sobe. Sempre sobe. Eu me volto pro elevador. Contraditoriamente desejo que ele chegue logo. Ela resolve dizer que tem vontade de ter um cachorro novamente, mas que dá muito trabalho. Eu tento ser simpático. -É dá muito trabalho mesmo... (mas se você quiser conversar um pouco mais a respeito) -Eu já tive um, não sei se você lembra... -Não, não lembro.. (eu vou lá lembrar do seu cachorro. maaaas, a gente pode discutir nosso passado desconexo e colocá-lo nos eixos) -É, você era garotinho na época... Broxei. Completamente. E olhe que ela deve ser no máximo uns 5 ou 6 anos mais velha que eu. Linda como sempre. Shoot me.
15:35 -
[10.11.06]
à propósito Apesar dos posts bibas, bonitinhos e coisa e tal, eu sou um cara bem resolvido. E solteiro. E bonitão. Tá, parei. ____________________ Aniversário da minha pequena. Que teima em não ser minha. Mas é pequena. Um dia roubo ela pra mim :) Parabéns, princesa.
13:43 -
[9.11.06]
always blue Naquele dia ela usava uma blusa vermelha, que combinava com a bolsa e o prendedor de cabelo. Seguia linda, com aquele jeito engraçado de andar. A blusa levemente levantada deixava transparecer um pedacinho das costas. Ele ia caminhando, logo atrás, tentando imaginar que cheiro teria ela. Doce, cítrico, de bebê, de mulher. Desviou-se de uma pilastra, esboçou um estender a mão, mudou de idéia. Manteve um sorriso disfarçado no rosto. Vendo o vermelho, pensou no azul. Fossem castanhos já seriam perfeitos, mas, de birra, eram azuis. Mechas claras. E o sorriso sem jeito que não queria lhe soltar. Indagou-se se seria ela sua próxima melhor amiga ou o amor de sua vida. Eternamente uma desconhecida, sempre conhecida em sonhos, ou alguma dia voltaria a ser uma qualquer? Qualquer resposta o faria feliz.
15:10 -
[8.11.06]
zoo Coisa que me irrita é moda. Junta um monte de bichinha, um monte de roupa feia que ninguém usa, um bando de mulheres lindas e...? E nada, ué. Não sai nada de bom dali. Eu ouço dizer: a nova tendência desse inverno é tal, onde não sei o quê da década-de-lá-vai estará em alta novamente. Primeiro, que se eu resolver sair agora com uma cueca pendurada em uma das pernas e o restante passando pelo braço, vão dizer que eu sou rídiculo. Daqui há 10 anos pode ser moda, desde que a cueca seja feita de material radioativo e combine com minha calça jeans vermelha com estampas de micos órfãos das florestas venezuelanas. Segundo, quem disse quais bichinhas podem ditar o quê? Você votou neles, expressamente, concedendo direitos para que eles ditassem o que é tendência ou não? Eu não votei. E não conheço ninguém que tenha votado. Desde quando criar um monte de aberrações vestuárias vai refletir no modo comum que eu e você nos vestimos no dia-a-dia? Além do mais, quem determina a moda de agora, e quem determina a moda passada? E com base em quê? Fora o óbvio revoltante de seguir uma futilidade fomentada por sabe-se lá que inspiração; falta de neurônio, quem sabe. Quando se fala em São Paulo Fashion Week ou Não-Sei-Que-Raios Model 2007, pronto, ferrou tudo. Eu fico embasbaco vendo na tevê. Modelo da bundinha murcha com roupa esdrúxula laranja. Vai, volta. Coloca roupa esdrúxula marrom. Troca por uma com tons de bege, azul piscina. Estampas florais. Azulejo de banheiro. Vem modelo com peitinho de fora e liquidificador na cabeça. Sandálinha de pedrinha importadazinha da cidadezinha de tutâncamonzinho. Uma fenda que não tem mais fim em qualquer lugar da roupa. Dá a voltinha, mostra a virilha depilada, faz charminho, volta pro camarim, alivia aquela vontade de coçar o toba [afinal, aquilo tudo deve dar uma coceira sem fim], troca de roupa e repete o script mais uma vez. Depois todo aquele povo enche o bolso de dinheiro, vindo sabe-se lá de onde e eu sou obrigado a ouvir toda bela estação que a moda mudou. A moda mudou, sempre muda. De casaco, no inverno, pra camiseta, no verão. Perdoe a minha rudeza. Nessas horas eu sou um bruto. -E nas outras? -Obrigado.
23:57 -
[7.11.06]
eu só quero ter o E.T por perto Como uma velha canção cantada bem baixinho, que vem surgindo do fundo do ouvido, do fundo das memórias, como notas musicais coloridas e difusas que flutuam pelo ar, envolvendo devagarinho. O trecho cantado jocosamente que fazia rir. Agora cantado da maneira certa, se repetindo, repetindo, vindo, sumindo. Eu só quero ter você por perto. O suficiente pra um abraço, ou só pra um aperto de mão? Perto o bastante para identificar os riscos castanhos da sua íris ou de olhos fechados com sentidos a mil? Perto tão pouco pra doer tanto. Perto tanto para que se exploda o mundo? Longe. Assim tão perto. ____________________ When I see you dancing there I get up and throw my hands in the air
20:55 -
[6.11.06]
rinite Acordar na segunda-feira com a alergia atacada: Dor de cabeça. Manhã de trabalho improdutiva. Folga pela tarde. Compensação na terça-feira. Soneca depois do almoço. Olhos lacrimejando a mil, alternadamente. Calor insuportável. Fome louca. Humor completamente alterado (mongolismo incrementado em 700%). O que inclui vários uh! gritados pela casa. Minha mãe quase batendo a cabeça na parede e se perguntando onde foi que errou. Obrigado. ___________________ Detalhe: o primeiro pronunciamento de minha mãe foi dizer que isso é o resultado de trocar a noite pelo dia, o que, segundo ela, provoca gripe. Obrigado novamente.
18:02 -
[5.11.06]
camping Eu saí de noite pra devolver filmes na locadora. Olhei pra cima e a lua estava lá no céu, enorme, completamente cheia e branca naquele céu limpo, colorido logo abaixo pelas luzes da cidade. Eu senti uma alegria simples e verdadeira por, sei lá, ser um expectador privilegiado dessa cena frequente. Mas junto com isso eu senti tristeza, por quê não havia ninguém pra ligar e dizer: putz, olha pra esta merda no céu e sente o que é estar vivo! Eu adoro essa característica/necessidade humana, de ter que compartilhas as coisas boas. Se não fosse por isso eu não teria conhecido grande parte do que aprecio hoje. Mas voltando, eu não tô falando dessa coisa de tristeza numa atitude chata de reclamar por reclamar. Eu falo isso como uma constação da realidade, que vem sido seguida por uma mudança de vida. Mas é triste, por que até mesmo quando há alguém pra ligar, não há. Sempre houve um desbalanceamento implícito nas relações que eu tive. Eu tô cansado dessa história de ver minha vida mudar in just seven short days, ter dias maravilhosos e no oitavo dia tudo voltar à mesma coisa. Seja por que eu fui um idiota, ou por que um vento gelado passou e apagou a chama da pobre vela que tinha acabado de acender, ou seja por que as pessoas são complicadas demais pra abrirem mãos de seus orgulhos e tentarem novamente. Eu não ando preocupado com essa coisa linear de conhecer alguém, namorar, noivar e todo o resto que termina com ar. Eu só quero conhecer alguém que esteja no mesmo momento de vida que eu. É demais querer conhecer alguém que possua uma certa indepedência, que tenha seus traumas bem resolvidos, que se dedique, que ame e sofra sem preocupações ou orgulhos? Eu não quero compromissos falados, eu quero sentimentos não ditos, algo que dure sem consumir. Eu tô cansado. Eu era um imbecil, que vivia com medo de sofrer, que sofreu muito e se fechou. Que rotulava pessoas só de olhar pra elas. Agora eu ligo pra muito pouco. Se eu pudesse me arriscaria numa amizade nova todos os dias, e juraria cuidar bem de todas elas (exceto claro, por motivos mais transcendentais do que eu). Eu era um medroso. Hoje em dia, se eu pudesse me apaixonaria todos os dias, mesmo que ao fim das 24 horas eu tivesse de sentir aquela dor descomunal que devasta tudo por dentro sem que você saiba dizer por onde começa. Eu já senti antes, e tô vivo até hoje. Melhor então é sentir sempre, olhar pra trás e acreditar infinitamente que os seven short days valeram a pena em cada minuto. Mesmo que tenham acabado. É isso. Apesar de me sentir feliz, eu me sinto ao mesmo tempo triste, quando olho pra lua e sinto que ela olha pra mim também, mas ninguém olha pra ela junto comigo. E a necessidade básica de compartilhar fica ali, inválida pelos cantos. Se você não entende, tô pouco ligando ;) Eu preciso encontrar alguém que compartilhe comigo na mesma intensidade. Não na mesma forma, mas no mesmo compasso. Às vezes eu sinto que as pessoas estão meio mortas, meio brutas, meio insensíveis. Tem dias que eu quero falar, gritar, pular; e as pessoas morreram. Estão mau-humoradas, estão sendo medíocres, estão caladas, remoendo sentimentos desconhecidos. Estão se abraçando a sentimentos mesquinhos. Estão ocupadas com sabe-se lá o quê. Eu passei os últimos anos ocupado demais, e tô louco pra terminar a faculdade, pra ter mais tempo livre pra viver, pra sentir. Pra viver as coisas pequenas bem devagar. Só falta encontrar alguém que encaixe, sem me levar pro abismo ou me deixar flutuando.
22:50 -
[4.11.06]
blue Eu poderia passar o dia sentado naquele corredor. Poderia inventar mil desculpas, e inventei uma só. Eu poderia gastar meu salário em flores, mas não poderia me gastar inteiro sem saber. Eu poderia ser simplesmente eu mesmo, mas afinal quem é esse que escreve coisas que desconhece? Eu poderia chutar alto, mas continuei contemplando o rodapé. Eu poderia. Mas não pude. ____________________ Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável. (Caio Fernando Abreu)
20:59 -
de água fria Em algum lugar encontrei Sara. Depois achei Camila, Cris, que na minha cabeça era pra ser Maria (ou havia outra Maria?), Erica, e acho que tinha mais alguém, mas me perdi. Inclusive duvidei. E pensei: é mentira. E continuei até que apareceram nomes em proporções estratosféricas. Tive que parar. Cheguei a duas conclusões recorrentes: 1) adoro salvador, mas continuo morando na cidade errada. 2) tô ferrado. Acho que só um tiro pra sanar essa sensação de desperdício. O incrível da história é que todas escrevem bem. ____________________ acordou assim, me cantando um samba antigo, batucando minha pele ritmada e saltando meu jeito mudo de amanhecer e não saber que o amor é isso sim, coisa simples simples, que arde gostoso nos olhos do dia antes e do dia após, do dia hoje e do dia agora, do dia todo que cabe em nós dois.
20:24 -
[3.11.06]
bum Às vezes eu sinto como se estivesse me enganando. E tem horas que cansa me iludir. Eu simplesmente não ligo pra mais nada. Não me ofendo mais. Não sinto mais ciúmes. Não me chateio com as atitudes dos outros. Ignoro o egoísmo alheio e, no máximo, quero ficar longe disso tudo. Tem horas que eu me sinto incapaz de gostar, em todos os sentidos. Como se qualquer gostar antigo tivesse desaparecido. E todo gostar futuro fosse impossível. Como se me olhassem e não vissem que eu estou aqui. E eu não sinto tristeza por isso; talvez um tédio, um pouco de sono. Eu olho pra tudo que já senti, e sumiu. Olho pra tudo que eu poderia sentir, e não existe. Eu me iludo achando que alguém vai ser capaz de mudar isso. Nessas frequentes horas as pessoas são iguais. As paixões são iguais. As palavras são iguais. É tudo igual, mesmo que seja diferente. Que se exploda tudo. Obrigado.
00:00 -
[1.11.06]
condição O bom da música é que ela sempre está aí disponível. Apesar disso ser um mérito maior dos compartilhadores peer-to-peer do que da própria música. A questão é que você sempre pode voltar a ouvir algo que não quis, abandonou, esqueceu ou tinha preconceito. Dor de barriga também pode ser responsável por esse tipo de coisa. Assim como dores de cotovelos, gastrites e cãibras em geral. O fato é que Pato Fu é lindo demais. E eu simplesmente tinha esquecido disso. A Fernanda Takai é lindinha demais. O resto da banda é feio. As músicas são implicantemente bonitas e reflexivas. E as do começo da carreira, affe, loucura total. Muito bom. ____________________ Distraindo a verdade e enganando o coração.
13:03 -
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