iulo . 21 . salvador . bahia . trabalhando . recém-formado . desconstruindo-se

[30.1.07]

pretending and moving on

É engraçado como as coisas mudam, o tempo passa, e a gente também muda. Nossas convicções mudam. Se tem algo que me dá raiva, é esse povo que vive condicionado à sua personalidade, feito cachorro roendo osso. Ai, eu não posso mudar, senão como eu vou saber quem sou eu? Eu vou me tornar outra pessoa; ai, isso eu não quero não. Meu pinto. Então, estuprício, continue com seus problemas mentais pro resto da vida.

Pra mim, personalidade é saber reconhecer suas dificuldades, vícios, erros; e ter a graça de abrir mão deles. Mesmo que pra isso você tenha que desistir de algumas convicções [convenhamos que muitas delas devem ser bem imbecis]. Isso não vai implicar em você ser um desmiolado, uma maria vai com as outras, um touro na boiada. Você ainda vai ter sua cabeça, seu jeito de pensar, idéias e tudo mais. Por exemplo, hoje em dia eu sou um cara bem mais sociável, mas continuo rabugento e mau-humorado :D Mudar, pra melhor, é sempre válido.

Tá, mas esse assunto me veio por causa de algo muito menos nobre. Há muito tempo atrás eu tinha esses acessos de mediocridade e não queria abrir mão de jeito nenhum das minhas convicções. A principal delas é que eu não gostava de loiras. Simples. Pra mim, gostar de loiras era um estereótipo machista, de que loira é a melhor, loira é a maravilha, enfim; era comungar com a idéia de que as loiras eram demais e as outras eram secundárias.

Além disso, havia o óbvio de eu me sentir setecentas vezes mais atraído por criaturas de pele clara e cabelo escuro. Acho que eu nem me lembro de ter sentido qualquer tipo de interesse por uma loira. Ou seja, eu tinha convicções imbecis e era um preconceituoso: considerando que a maioria das loiras não nascem loiras, aí também eu já acho esculhambação. Forçar
tanto a barra pra ficar de um jeito que você não é. Se bem que as loiras que pintam o cabelo de preto; hummmm, tá. Acabei de desistir de outra convicção. Pintem os cabelos, façam o que quiserem; fiquem lindas, ô meu Deus.

-iulo...
-Ah, sim, desculpe.

Pois então. O tempo passou e minhas convicções simplesmente mudaram. Loiras hoje em dia são uma falta de absurdo tão imensa quando as morenas de pele clara e cabelo escuro. Dia desses, por exemplo, eu fui pro trabalho e, enquanto subia as escadas da empresa, do nada surgiu uma loira perfeitamente.absolutamente.inteiramente linda atravessando a rua e
adentrando o edíficio, no andar de baixo [são dois andares, eu trabalho no de cima].

O detalhe é que a empresa fica na orla, praticamente dentro do mar. Então, pouco antes das oito da manhã havia aquele ventinho, o azul do mar ao fundo, a loira atravessando a rua, os cabelos levemente esvoaçantes, o sol emoldurando tudo, ela caminhando em câmera lenta como se o mundo fosse dela [naquele momento era dela] e eu babando, tentando acertar o buraco da fechadura, já que eu fui o primeiro a chegar na empresa.
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Enfim. Por enquanto, era só pra dizer que eu sofri um estupramento ocular e vou dar queixa na polícia.

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[28.1.07]

always have to steal my kisses from you

Ben Harper que me perdoe; as músicas do cara são as melhores, aquela troca de guitarras e violões e baixos foi linda e humilhante, o tio da percurssão é muito louco, o baixista deu um solo monstruosamente fenômenal, eu quis dar um tapa na careca do guitarrista e foi tudo absurdamente bom.

Mas a Cláudia Leite foi o melhor da noite.
Que MULHER é aquela? Ataque cardíaco.
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E quem diria... algum dia na vida eu acabaria indo ao Festival de Verão.

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[25.1.07]

cake

Tudo bem que São Paulo é a maior cidade do Brasil, que os paulistas são pessoas lindas e maravilhosas que falam pô meu quando ficam nervosos, que a cidade é o coração da economia nacional, que o túnel do metrô afundou, que eles produzem metade das calças jeans vendidas no país e que hoje é aniversário da belezura urbana. Mas que nojeira, coisa triste, horrorosa, perneta, desconsolada, caduca, mongólica, oligofrênica e paquidérmica é aquela tradição do bolo gigante?

Um bolo com mil milhões de metros, centos quilos de farinha de trigo, tantos quantos ovos, fermento e ingredientes mais... no meio da rua. O ápice do sensacional. Liberada a degustação, o povo se joga feito hienas selvagens em cima do quitute. Sério, que visão do inferno. Meio mundo de gente carregando bacias plásticas, BACIA meu Deus, empurrando bolo com a mão pra dentro do recipiente. É gente achando que o bolo é desodorante ou condicionador; passando bolo no cabelo, no suvaco, no olho. Deve haver gente que coloca bolo na cueca. Eu sei que a situação do povo brasileiro anda difícil. Mas o infeliz que criou essa arte poderia ter inventado alguma coisa mais educada, e menos propensa à demonstrações de insanidades interiores. O bolo podia ser distribuído numa fila, em pequenos pedaços e não colocado numa mesa ao ar livre, para os seres humanos brincarem de pista de boliche, como é feito.

Melhor que a idéia, é a Globo, que acha bonito mostrar isso no jornal. Sei não, viu.
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Que porcaria que é Belle and Sebastian. Tão ruim quanto os Teletubbies cantantes, ahn?

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[23.1.07]

fly

Pra quem não gosta de carnaval, morar em Salvador é uma beleza. Você vai no site da Gol, procura passagens pra vir pra cá, e não encontra nada mais barato que 500 reais. Por trecho. A depender do dia e hora do võo, passa dos 1000 reais fácil, fácil. Agora, entre lá e procure, no mesmo período, passagem saindo daqui pra ir até qualquer canto:

Brasília - R$ 154,00
Belo Horizonte - R$ 133,00
Fortaleza - R$ 119,00
São Paulo - R$ 144,00
Rio de Janeiro - R$ 119,00

E pra onde eu vou? Pra onde eu vou? Pra canto nenhum. Que minha formatura vai ser na sexta-feira, 23 de fevereiro. No carnaval, se vocês vierem a esta terra bunita de onde vos falo, estejam convidados a passarem duas horas da sexta-feira sentados, ouvindo um monte de alunos vestidos com uma roupa ridícula proferirem idiotices sem fim =) Depois a gente vai bater um rango e falar bobagem em algum lugar. Minha casa está de portas trancadas. Mas é só rodar a chave que ela abre.
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Cleptomaníacos, sintam-se desconvidados.

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[22.1.07]

ácido lático

Eu já falei que vivo atrás de música. E fico decepcionado quando passo muito tempo sem conhecer alguma banda nova. Sempre procuro na Veja alguma indicação boa e que pareça ter algo a ver com o meu gosto.

Tá. Dias desses a revista indicava uma tal de The Magic Numbers, dizendo que era linda, bonita e romântica. Certo. Fui baixar as músicas: que PORCARIA. Putz. Os caras conseguem fazer uma música horrorosa com uma maestria sem fim. Eles são tão absurdamente pop que me dão vontade de enfiar uma caneta no ouvido.

É uma coisa meio Beatles felizes, um Legião Urbana ainda mais homo, Bee Gees com diarréia. Hippies fedorentos. Algumas vezes chega a surgir uma baladinha legal na guitarra, que é interrompida pela voz aguda do vocalista e segue ainda mais horrorosa com os refrões cantados em coro pela banda. Sério. Sabe os Teletubbies? Então, eles resolverem formar uma banda: The Magic Numbers.
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Alguém aí também sente vontade de ir no banheiro quando faz exercício pra panturrilha?

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[21.1.07]

food

Onde já se viu? Ficar enfiando palito em comida? Minhas senhoras, por favor, comida não é feita pra se enfiar palito. Palito é feio e atrapalha. Se a carne não consegue ficar enrolada em torno de si mesma, não enrole. E pronto. E ainda mais, pra que raios se recheia uma carne? Carne não foi feita pra ser recheada. Isso deve ser algum transtorno de infância. Rechear carne, enrolar e enfiar um palito.

Se eu tiver de comer, novamente, coisas em palito sem necessidade, vou enfiar o palito no olho como forma de protesto. Tem coisa mais irritante do que estar com pratos em mãos e ter que se contorcer pra remover um bendito palito? Pior, você não consegue tirar aquilo só com o garfo e a faca. Você tem que usar os dedos e ficar com a mão grudando. Dá agonia só de pensar. Chega desse negócio de mulher ficar na cozinha brincando de enfiar palito em carne, feito caçador empurrando estaca em vampiro. Medo.
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Afinal, já dizia o pedreiro: e aê, minha gatinha?

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[18.1.07]

pesadelo

Se tem uma coisa que as pessoas conseguem fazer com maestria é: serem rídiculas. Todo mundo deve ter visto a história da Luana Piovani agradecendo ao Caetano Veloso pela suposta canção que foi feita pra ela. Daí foram perguntar pro espécime mais estranho existente sobre a face da terra [Caetano] se a história era verdade. Ele simplesmente desmentiu, com toda a desmunhecagem que lhe é permitida.

A primeira coisa que me veio a cabeça quando eu soube disso foi: NA CaaaaAAAAARAaaaAAA! Por que a Luana Piovani pode ser o supra-sumo da beleza nacional. Mas ela é de uma boçalidade sem fim. Tinha que levar um desses diariamente pra aprender que peitinho cai e bundinha murcha. E que mesmo que esteja tudo em cima, ser gentil conta muito. Eu fiquei constrangido por ela. Foi lindo. Agora, tão rídicula quanta a história e o papel da Piovani em si, é a letra da música, que chama-se: Um Sonho. Desapreciem:

lua na folha molhada
brilho azul-branco
olho-água, vermelho da calha nua

tua ilharga lhana
mamilos de rosa-fagulha
fios de ouro velho na nuca
estrela-boca de milhões de beijos-luz

lua
fruta flor folhuda
ah! a trilha de alcançar-te
galho, mulher, folho, filhos
malha de galáxias
tua pele se espalha
ao som de minha mão

traçar-lhe rotas
teu talho, meu malho
teu talho, meu malho

o ir e vir de tua
o ir e vir de tua ilha

lua
toda a minha chuva
todo o meu orvalho
caí sobre ti
se desabas e espelhas da cama
a maravilha-luz do meu céu
jabuticaba branca


Não sei, viu. Esse menino não comeu acarajé quando era criança. Pra ter ficado desse jeito... não mesmo.
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Alguém me diga: que DISGREBA é uma fruta flor folhuda? Impossível não rir com essa pornografia natureba horrorosa.

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[17.1.07]

elevador

É meio raro eu fazer papel de idiota, dizer alguma coisa impensada, ou me expor mais do que deveria. O problema é quando a beldade vem puxar assunto com você, mesmo que seja só pra ser educada. Ela faz a primeira pergunta e, num intervalo de poucos segundos, eu olho pro chão, penso na resposta, olho pra minha mão, decido o que vou falar, quase falo, mudo de idéia, repenso, decido de novo e emito a primeira sentença: quer dizer...

Quem começa uma frase falando quer dizer? Eu nem tinha dito nada ainda e a primeira coisa que sai da minha boca é quer dizer? Na minha cabeça havia um motivo pra pensar isso, mas não era pra falar, pô. Apesar do fato não ser sido tão perceptível para o mundo externo, na hora me veio aquela vontade de dar um tapa na testa e dizer: duhr!, seu idiota. Mas aí eu consertei, e qual foi a segunda coisa que eu disse? Um bom e expressivo: éee...

Eu mereço. Droga de mulheres violentamente lindas.
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Eu não entendo muito da legislação, trâmites legais, essas coisas. Mas o que é necessário para ter um harém?

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[16.1.07]

sand in my shoes

Quantas vezes girou a chave de casa, desejando com cada pedaço do seu corpo que ela estivesse sentada no sofá, aguardando ansiosamente por ele, carregada de um olhar apaixonado; transbordando por todos os poros, mesmo depois de tanto tempo, todas as convicções de que o amava imensamente. Respirava fundo, colocando a chave na fechadura. Quantas vezes sentiu doer cada trecho seu quando o trinco terminava a volta e via que ela não estava ali. Quando não havia o cheiro suave do seu cabelo, a sua pele exalando doçura, o pequeno sinal no seio esquerdo; o decote mais belo que já havia visto. Que graça havia em não poder abraçá-la de forma desconcertada, pedindo desculpas pelo jeito desastrado, ganhando o dia dela com um sorriso, empurrando-a carinhosamente contra a parede, esquecendo de qualquer coisa ao tocar sua cintura macia por baixo da blusa? Tantas vezes acordou contraditoriamente devastado pela falta dela enroscada em seu corpo, ao mesmo passo que saía de casa com o coração dolorido pela possibilidade de encontrá-la. Perdeu as contas das vezes em que não soube dizer qual seria pior: reencontrá-la, perfeitamente linda, encantando o dia, ou nunca mais vê-la; sem poder imaginar se ela sentia uma ponta de saudade ou guardava um punhado de boas lembranças. Seria capaz de se manter lúcido diante da vontade de afundar-se no pescoço dela, segurá-la forte e dizer que faria todo medo ir embora? Enquanto na verdade ele precisava que o medo fosse embora. Os medos do passado já haviam ido há muito tempo. Insistiam em continuar, medos futuros. De entregar-lhe o coração e não ser o bastante. De não valer a pena dizer que amou muitos amores pequenos, mas que diante de tantos abraços, não havia sentido entregar-se, se não era o gosto dela em sua boca. Em quantos momentos quis lhe dizer que não importava o tempo que passou entrelaçada com outras mãos, que esqueceria e não sentiria um resquício de incômodo por vivências sem valor como aquelas? Inúmeras vezes desejou mais uma chance para sussurrar baixinho em seu ouvido todas as palavras e saudades e birras e invenções de amor que surgiam no peito. Muitas outras vezes se calou e deixou todas essas bobagens esquecidas num canto qualquer.

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[15.1.07]

mila.odeio

1. Abraço de lado - horrível. Mas só acontece com homem. Com aquele seu primo que está aniversariando, com algum amigo que vai viajar, com o irmão de alguma amiga sua, com um colega de trabalho. Você vai dar o abraço no cara e ele fica sem graça, não te abraça direito, dá um tapinha de lado e.. enfim. Fica feio. Abraço pra ser abraço, tem que ser dado de verdade.

2. Perguntas sem interrogações - entendeu. O entendeu foi uma pergunta. Coisa TRISTE. A pessoa fala com você no MSN e diz: quando puder, entre em contato, certo. O certo deveria ser uma pergunta. Mas nem. A pessoa não se dá o trabalho. O dedo pode cair, vai saber.

3. Atrito de bochecha - não tem cumprimento mais idiota e frio e nojento. Você vai falar com a pessoa e, ao invés de dar um beijo de verdade, encosta a bochecha de um lado, encosta a bochecha do outro e ainda acha que isso é educado.

4. Namorados imbecis - aquelas pessoas que vivem exclusivamente pro namorado e só fazem o que eles mandam ou autorizam. Daquele tipo de gente que sai colocando no MSN, Orkut, flog, na bunda e na testa, o tempo inteiro, o quanto gosta de seu amoorzinho. Discrição e bom senso né, pessoas. É carnaval por acaso?

5. Ter que falar com todo mundo ao chegar em algum lugar - GAAAAAAAAAAH. Me dê um tiro, mas não me faça chegar num lugar e cumprimentar TODAS as pessoas que se encontram no recinto. Você chega numa festa da família e tem que falar com aquele amigo do seu tio que está passando uns dias na cidade e ainda ser simpático, sorrir e perguntar: tudo bom? Eu me sinto meio hipócrita. Por quê eu não suporto fazer isso, tampouco quero saber se o amigo do tio tá passando bem. Às vezes eu não quero saber se meu tio tá bem. Quem dirá o amigo dele. Mas não tem jeito.
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Não vou passar pra ninguém, afinal é feio tossir sem colocar a mão na boca.

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[14.1.07]

again

Big Brother Brasil é um ótimo programa. É bem feito, bem apresentado e um tanto quanto bem humorado. Alimenta diretamente a necessidade do ser humano de bisbilhotar a vida dos outros. Instiga a fofoca, o desejo de falar, comentar, sem que isso seja um peso, sem que haja sentimento de culpa [se é que isso existe pra gente disposta à falar da vida alheia]. E por isso nos deixa mais confortáveis à frente da TV; a ótima sensação de entretenimento barato.

De fato ele diverte. E aguça a curiosidade. Além de envolver jogos e diferentes provas de habilidade e inteligência [?], traz à tona toda maldade humana. Falsidade, burrice, falta de cultura, inveja, ciúme e egoísmo, anti-ética entre tantos outros. O ser humano cru, gravado, comentado e exposto.

E melhor ainda do que poder ver a nossa própria maldade escorrendo nos outros, é um programa que vibra aos nossos olhos. Eu mesmo acho uma maravilha um programa de TV que mostra mulheres lindas, com corpos esculturais, de biquini, de saia, de decote, dormindo, babando, comendo e dançando sensualmente. Seja o que for. E acredito que muitas mulheres adoram ver uma porção de caras malhados andando sem camisa. Uma beleza. Além da graça cruel de ver um monte de gente feia também. Gente feia brigando com gente bonita. Gente bonita tirando meleca. Profissional especializado falando idiotices. Gente chorando por motivo algum. E o circo pegando fogo.

De fato, é um ótimo programa, na essência do que faz um programa ser bom.
E é por isso tudo que eu não o assisto.
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Escrito há muito tempo atrás. E se a final dessa merda cair no meu aniversário novamente, vai rolar tiro. Nos joelhos.

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[13.1.07]

pedra, papel ou tesoura?

O cara que corta meu cabelo é biba, mas é bruto. Fala pouco, fala pra dentro, sorri pelos cantos da boca e não deixa transparecer seus desejos secretos. Só falta arrancar um pedaço da minha orelha. Nada daquelas bibas felizes que cortam cabelo passando o pinto no seu braço. Não mesmo.
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Ele pode ser baitola, mas é meu amigo.

(Tiririca)

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[12.1.07]

mr. unhappy

No fim do filme Antes do Pôr-do-Sol, Julie Delpy (Celine) toca e canta uma valsinha pro Ethan Hawk (Jesse). Se você não assitiu ao filme, recomendo que alugue Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, assista aos dois, um atrás do outro, e fique desiludido da vida. Os filmes são de deixar gente boba num estado de melancolia pseudo-alternativa. Anyway.

Bom, no segundo filme você vai achar ruim o fato da Julie Delpy - Celine - ter se tornado uma pessoa boca suja e obscena. Mas diante da beleza do primeiro filme você acaba esquecendo tudo isso. No fim então, você até esquece que numa cena ela dá dedo pro cara. O fato é que, depois de ter visto a última cena umas 6 vezes, você vai procurar sobre a tal valsinha na internet e de repente encontra o arquivo em mp3 pra baixar. A música chama-se Waltz For a Night. Mas quando você ouve, acha estranho o fato de, além da voz e violão que aparecem no filme, haver um teclado com um efeito biba ou seja lá o que for aquilo. E de repente, você descobre que a loira-artista-romântica-com-cara-de-quem-acabou-de-acordar foi quem realmente gravou a música, e que ela possui outras.

De lá pra cá eu baixei quase o CD todo (se me perguntarem, não sei de nada). Eu fiquei naquela expectativa de ouvir mais músicas bonitinhas, mas a mulher é completamente louca e transtornada e apaixonada. Apesar de existirem outras músicas românticas no CD, em algumas ela xinga, grita, manda o cara pra lugares legais. Nem de longe soa como aquelas bandas gringas que falam de qualquer porqueira achando que tá tudo bonito; que nem o Jota Quest aqui no Brasil [o amorrrrr teeeeem saboo-ôoo-ooo-or pra quem be-be a sua áaaguaa, não né; faça-me o favor].

Apesar de tudo, da raiva, do mau humor, ela fala de amor muito bem; bonito e honesto e louco ao mesmo tempo. Algumas horas ela se acalma, outras ela fica deprimida. Depois ela grita de novo. É uma beleza. Ouça. E não me conte seus problemas.
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Ela é francesa. Algumas músicas, e trechos de música, ela canta em francês. Entendo nada, mas é lindimais.

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[11.1.07]

catetos da hipotenusa

Gente. É tanta gente. Gente cansa. Meu Deus do céu, afinal, pra quê tanta gente? Deveria rolar uns tiros aleatórios. Umas epidemias em massa. Eu até me voluntariava se fosse o caso. Só pra não dizerem que eu sou egoísta. Mas assim, eu ia querer morrer de uma doença chique. Ou histórica, tipo uma peste negra, sei lá. Pense que lindo:

-Ah, ele morreu?
-Morreu.
-De quê?
-Gripe dos golfinhos.
-Nossa, que legal. Onde é que pega?

Enfim, gente demais.

Por falar nisso, eu não gosto de rima. Não suporto ver palavrinha bonitinha combinadinha com outra palavrinha arrumadinha tudo terminando em inha e fritando meu cerébro. ODEIO. É um ritmo irritante, uma vai-e-vem feito para incomodar, um mosquito no ouvido, uma criança chorando, a mâe gritando e o cachorro latindo, misturado com chiado de TV em dia de chuva. Tudo ao mesmo tempo. Peguem estas merdas destas poesias, passem na bunda e cheirem. Até por quê, é rídiculo fazer poesia. Basta você ter um vocabulário minimamente expandido e ficar cantarolando meio mundo de porcarias com terminações iguais. Vou fazer uma agora:

Poesia
É uma porcaria
Matem esta vadia


E salvam-se, obviamente, os poetas famosos. Vinícius de Moraes e cia. Ou seja, se você nasceu há menos de 65 anos, desista. Já fizeram todas as poesias que você poderia fazer, e a sua vai ser rídicula.

Explodam-se todos os blogs de poesia, os blogs de crônicas clichê. Blogs com fotos de efeito rídiculo. Flog de gente mostrando a bundinha. Coisa triste são esses fotologs com tantos photoshops e tantos arrodeios literários que você não consegue nem imaginar uma pontinha do que a pessoa realmente é. Se é que se trata de uma pessoa. Vai saber.

E por favor, se você criar um blog, escolha um tamanho de letra adequado: nem muito grande, nem muito pequeno. Eu não sou nenhum avô para precisar de letras garrafais, mas também não tenho a visão-além-do-alcance.

Mau humor? Naah. Faleçam-se lindamente, seus mamíferos.
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Há tanta gente, e falta gente.

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[7.1.07]

e acreditavam

Lutava para não se sentir patético em suas tentativas inúteis de mudar o jeito como as coisas iam. Fingia que a última coisa que ouvia antes dormir não era seu suspiro doído, como uma confissão de detalhes inacreditáveis. Cria cegamente que fechar os olhos por alguns instantes faria toda dor ir embora. Lutava para não acreditar que o mar era fuga, assim como o seu sono sempre constante. Esforçava-se para levantar da cama e ver algum sentido nas coisas. Qualquer coisa. Se apegava à maciez do seu colchão como sua última amante, terapeuta, confidente. Continuava por horas tentando se manter em qualquer lugar que não ali. Até que não adiantava e tudo se tornava insuportável. Apertava as mãos com força, socava paredes para desviar a dor. Escondia entres os dentes as raivas de suas palavras torpes. Enchia os ouvidos de música, fazia-se crer não pertencer a nada. Jurava amar amores falsos, se dedicando sem coragem a qualquer pedaço. Imaginava os melhores diálogos, com os melhores amigos que não existiam. Guardava para si o desprezo por conselhos inúteis, cheios de altivez e ausentes de sentimentos. Sonhava por segundos encontrar um canto que fosse seu. Segurava lágrimas, como uma tosse, que no fundo não podia ser abafada. Fingia não cheirar a mediocridade do dia-a-dia; o aroma agoniante da futilidade das pessoas. Esquecia de si no meio das letras. Disfarçava não odiar abraços de lado, sem jeito, quase não dados. Fechava os olhos novamente para não se enxergar. Ouvia meio punhado de bobagens; gentilezas egoístas de quem não tem um ombro para oferecer. Se despia de seus medos, de vontades, de saudades, de desejos, dos outros, de si. Esquecia.

E fingia ser tudo aquilo que há muito tempo já não é mais.

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[5.1.07]

Nota: foda mesmo é ver gente usando coisa que eu escrevi pra se declarar pros outros. O mundo é tão divertido.

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[4.1.07]

transplante

Eu sempre acho que pessoas com um mínimo de inteligência não podem ser inteiramente felizes. E se você não acha, pare de ler e vá embora: ou você se conformou ou não tem um mínimo de inteligência. Pra ser feliz assim, somente na superficialidade.

Alguém me diz: em que buraco se enfiaram as pessoas tristes? Aquelas que sentem de verdade. Eu tô cansado de gente feliz, que ri de tudo. Que nunca sofre, que nunca se compadece. Que vive de festa em festa, propagando consumo de bebida e prostituição de sorrisos. Eu tô cansado da maioria das pessoas que eu conheço e de algumas que eu não conheço; as mesmas, cheias de defesas, de desculpas, de verdades.

Eu queria poder jogar pela janela um punhado de filhos-da-puta que passaram a vida me cobrando um sorriso, mas nunca se entregaram de verdade em amor, em amizade. Nenhuma dessas pessoas se olha no espelho e diz: merda, meu coração anda feio pacas. Nenhuma delas nunca faz nada pra consertar isso. Mas como, se nem se enxerga isso? Todas, todas andam na superficialidade. Só pode ser burrice.

Esse ano foi de intensas mudanças pra mim. Mas foi tudo tão rápido que esqueci que a terra leva 24 horas pra girar uma volta. E eu que achava que iria me ajustar, entrei em descompasso com o resto do mundo. No fundo, sempre, sempre, sempre aquela vozinha falando baixinho em meus pensamentos: desperdício, desperdício. E o eco no fundo do meu coração respondendo: solidão, solidão.
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E essa, só quem sente entende.

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[3.1.07]

taste

Pense numa mulher sem graça. Agora pense em duas. Pensou? Então: Raica Oliveira e Fernanda Tavares. São duas criaturas enjoadas, faces-de-nádegas, insossas, com vozinha de ralo de banheiro e aspecto de meninas do interior. Uma faz sucesso por que namora o gordo [Ronaldo, não o Jô]. A outra tem uns programinhas imbecis na MTV e só. Ecati pras duas.

São meninas que se eu visse na rua, nem moveria um dedo. Elas são como aquelas primas distantes que você vê uma vez na vida e não lembra o nome. Uma eu trocava por um sorvete de cajá. A outra por uma moqueca de polvo. Mas como eu não tenho nenhuma das duas pra trocar por nada, deixa eu ficar quieto. E descobrir o e-mail da Mariana Ximenes.
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Aquela, sim, foi feita com bastante pimenta, alho e limão. Bem que ela poderia ter nascido aqui. Mas nãaao. Quem foi o famoso global que surgiu dessa terra em que vos falo? Lazáro Ramos! Que beleza. Gosto do cara, admiro o trabalho. Mas ele não é nenhuma gracinha. No way.

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[2.1.07]

taquicardia

Veja que boniteza exemplar:

Escute seu coração. Ele conhece todas as coisas, porquê veio da Alma do Mundo e um dia retornará para ela. (Paulo Coelho)

Eu li isso em fontes não muito confiáveis. Então não posso garantir que seja do boca troncha mesmo. Mas se for, putz, que cara ruim. Péssimo. Rídiculo. Feio e desdentado. Merece ser atropelado por um Airbus A380. Duas vezes. Eu ainda pedia pro piloto engatar a ré, pulava de pára-quedas e cuspia nele. Tá, parei.
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Alma do Mundo. Com letra maiúscula. Tem como alguém ser mais clichê e ridículo do que isso? Nah.

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