[27.5.07]
addicted Sempre que eu posso, assisto ao Fantástico nas noites de domingo. Mesmo que o nome do programa seja imbecil e que, quando criança, eu achasse que uma daquelas mulheres da antiga abertura (lembram? mulheres com o cabelo lambido, pseudo-roupas e apetrechos coloridos, surgindo do meio de rochas) fosse a minha mãe quando ela saia do banho com o cabelo molhado. O programa é bom. Muito bom. Mas tem duas coisas que irritam: a Glória Maria (ridícula) e as enquetes ao longo das matérias. Eu não sei o que se passa na cabeça dos mamíferos responsáveis pelo programa. Mas tudo que eles apresentam tem que vir seguido de uma enquete. Eles acham mesmo que milhões de pessoas vão correr ao telefone, simplesmente porque em 3 minutos a votação será encerrada. Dali há mais 5 minutos surge outra votação. Dá nos nervos. É tão absurdo que já deve haver pelo menos um grupo de lunáticos, viciados em ligar para as enquetes do Fantástico. Na verdade, eles eram originalmente viciados em 0800's, de uma maneira geral. Mas como o do Fantástico enche o saco e tem à toda hora... é igual ao povo de Blower's Daughter na versão da Ana Carolina: olhos esbugalhados, encarando a tevê de forma autista, se balançando para frente e para trás, com o polegar esquerdo na boca, cabelos desgrenhados, dando tapas nos pratos de comidas oferecidos, o telefone debaixo do suvaco, esperando a hora de ligar. O melhor: a doença é tanta que eles ligam e votam em todas as alternativas possíveis. Ao fim, correm pela casa gritando goooOOoooOOOOl! E voltam para esperar a próxima enquete. Eu realmente não sei o que a Globo acha que vai ganhar com isso. É um 0800 e as perguntas são imbecis. Ou seja, não se fatura em ligações e eu não acredito que haja aumento de audiência por causa de algo tão banal. Daí passa uma matéria com elefantes. Pergunta-se quais elefantes são mais bonitos: os cinzas ou os cinza-escuros? Você acha que os Estados Unidos deveriam ser invadidos por alienígenas guerreiros vestidos de Robin Hood? Daqui há uns tempos vão perguntar: você baba durante a noite? É politicamente correto os seres humanos possuírem dois olhos? Você faz cocô em pé ou sentado? Você acha viável a liberação da eutanásia dos macacos albinos cegos de uma perna só? Me deixe, viu. o o o Pausa no dump.
[24.5.07]
dump.lula mermo Se tem gente que me enoja é gente culta. Sério, eu tenho vontade de esganar gente que se sente na obrigação contínua de falar bonito, de discutir música, política, literatura. Gente que precisa saber de tudo pra ser feliz. Ou fingir que é feliz. Não venha pro meu lado falar bonito, cuspir dicionário. Eu vou entender o que você está falando, mas isso não me agrada. E eu vou bocejar. Eu já reclamei disso outras vezes em textos passados. Então não vou me aprofundar nessa temática cansativa. O fato é que eu não prego um estímulo para que não se leia ou estude nada, pelo contrário. Mas vamos com calma nos exageros. Não suporto gente que sai citando autores loucamente. Blogs em que você entra e só tem links pra milhares de citações e entrevistas e frases e filmes, me dão nos nervos. Eu leio bastante, vejo muitos filmes, adoro música, tenho até um relativo bom gosto, mas não ando atormentando a vida de ninguém com isso. Não ando lendo e nem me interesso por filosofia, grandes autores, grandes temáticas enfadonhas e inúteis. Diversão pra mim é romance e saber o suficiente pra me comunicar bem. Eu respeito quem gosta e realmente aprecia essas coisas. O que incomoda é forçar a barra em tudo. Ninguém vai morrer se você não souber por que diabos Nietzsche chorou. Aliás, você não vai morrer se os outros não souberem que você sabe. Vomitação gratuita de cultura e inteligência, diálogos insuportavelmente densos e comentários soberbamente imbecis... não, né? o o o Nota: o oposto também é infinitamente de lascar.
[19.5.07]
miguxa Interrompendo a sessão descarrego, eu gostaria de fazer uma pausa para reflexão. Semana passada eu descobri que a Avril Lavigne lançou um novo CD, coisa e tal. Antes de falar dele, eu gostaria de fazer uma retrospectiva sobre a pessoa. Ela tem minha idade e quando estourou na mídia com o primeiro CD [Let Go], foi tudo lindo. Ela era linda, jovem, ridiculamente pop, tentando se disfarçar naquela historinha de menina punk, mas as músicas eram legais, era extremamente agradável vê-la em qualquer canto que fosse. A pseudo-atitude punk era bonitinha. E, por mais que as letras das canções fossem meio bibas, eram simples, até bonitas e com uma pegada rock. O fato é que na época, por mais punk pirulito que ela fosse, não havia nada parecido. Acho que nomomento, a Christina Aguilera e a Britney Spears ainda estavam na fase do pop-menina-meiga acima de tudo [dado que depois elas entraram na moda pop-pornô-xaxado-estou-ficando-atoladinha]. Portanto, a pequena Avril caiu como uma luva para os meus olhos e ouvidos, diferente de tudo que havia na mídia. Chutando os verdadeiros punks sebosos com seus riffs sem graça e dando um chega pra lá nas loirinhas do pop que seguiam o estilo mamãe-meu-caldo-de-cana-tem-uma-abelha. Daí veio o segundo CD [Under My Skin] da punk canadense e todo mundo estava acostumado com aquela criatura loira fazendo barulho por aí. Mas ainda assim foi melhor, pois as músicas eram mais trabalhadas, tinham uma melodia melhor, as letras pareciam menos rídiculas, mais maduras, a beleza dela continuava encantando, enfim. Tudo lindo. Então vem o terceiro CD [The Best Damn Thing], e eu não entendi necas. Não mesmo. O CD é tosco, as letras são rídiculas, as melodias são iguais, há vozes de adolescentes mongóis rindo de maneira prostituída, ela está tão clichê quanto é possível a um único ser humano e, pior, ela está descaradamente vendida. Assistam ao clipe da música Girlfriend aqui e notem: 1. Avril Lavigne está usando SHORTINHO. 2. Avril Lavigne está cantando músicas sem nexo e imbecis que falam hey hey, you you. 3. Se no primeiro CD ela gostava de se aparecer com essa história de namorado, como em Skater Boy, agora ela não se contenta e insinua roubar o namorado de outra menina. Se isso não fica bem pra uma guria de 12 anos, quem dirá para uma senhora casada de 22. 4. O clipe, de uma maneira geral, está digno das cenas dos trapalhões e da xuxa. Como na cena da máquina de fotos, a da bola de golfe, seguida da ruivinha caindo na água. 5. Avril Lavigne está fazendo COREOGRAFIAS EM GRUPO. MEO DEOS. Sem palavras. 6. Aos 52 segundos do clipe ela deveria cantar a frase: And how, yeah, I'm the motherfucking princess. Mas a palavra fucking foi suprimida. Ou seja, ela virou a mãe princesa [oh, my], para não ofender as criancinhas que vão fazer a coreografia igual a dela. É fato: Avril Lavigne está sofrendo de hemorróidas crônicas. O que aconteceu com a coisa linda que colocava baratas na língua [vivam os tempos em que eu conseguia assitir a MTV]? Ela fez um CD para moleques de 10 anos se divertirem em festas cheias de balões coloridos. Eu realmente achava que agora ela faria som para as pessoas que a acompanharam desde o início, e cresceram. Mas não. Eu até tolero que ela faça coreografias, que ela saia fazendo poses de maneira sexy nas revistas, que ela traia a maioria dos ideais propagados no começo da carreira. Mas que ao menos ela tivesse conservado a música. Ela regrediu. O melhor de tudo é que ela teve a coragem de dizer que escreveu boa parte das canções "sob o efeito do álcool". Ahn ran. Aquela descarada escreveu as músicas sob efeito de Fanta Uva, Pokemon e Hello Kitty. o o o Nota: a única coisa boa dessa história toda é mesmo o shortinho.
[17.5.07]
dump.kill Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum. (Roland Barthes) o o o Sofro por não poder cometer assassinatos. (iulo Duarte)
[9.5.07]
dump.qualquer coisa Entro no MSN e encontro o ser humano [sexo feminino] com a seguinte mensagem ao lado do nick: What I make of my life, run or am! I am or I run, what I make! Exatamente. Leia de novo. Não entenda. Leia mais uma vez. E? Continue sem entender. Eu passei alguns minutos rindo, tentando decifrar sobre o que se trata o manuscrito acima. Sem condições. Ou eu sou muito burro pra compreender a filosofia implícita nessa frase, ou a criatura tentou transcrever à mão livre e onomatopeicamente uma canção do Bon Jovi. Chorei demais.
[5.5.07]
dump.because Nada como um pacote de biscoito de chocolate com suco de uva. Mas a Norah Jones e a Alicia Keys são chatas demais. Se eu as ouvisse cantando em um bar, tomariam uma sapatada na testa. Definitivamente. o o o Exceção para Norah Jones com Don't Know Why.
[1.5.07]
dump.lágrimas são do tamanho do mundo Sempre soube o quanto era desesperador terminar um relacionamento gostando do par. Pior ainda era quando se sabia que não havia meio possível de ser feliz junto. Não era a dor ingênua de gostar de alguém e estar separado pela distância, pelo espaço, pela morte, pela guerra ou por vontade de terceiros. Era a infelicidade constante e adormecida de ter que fazer a escolha de estar longe de quem se ama. Loucura? Definitivamente. Escolher, conscientemente, estar longe de quem se gosta; por ter a certeza de que, naquele infinito de vontade, há a mais pura existência de dois gênios que simplesmente não conseguem conviver juntos. Que não se completam, que se magoam, que não caminham de mãos dadas. E então chorou baixinho, sem que ninguém soubesse, e esperou que nunca mais tivesse de fazer essa escolha novamente. Porque era fácil enganar qualquer sentimentozinho temporariamente. Impossível mesmo, era aguentar aquela dor súbita que lhe tirava o fôlego quando menos esperava. Estava sendo fácil viver a vida todos os dias. Absurdo estava sendo aguentar calado, sofrer no escuro, de olhos bem abertos, enrolado no próprio corpo nas noites em que sonhava com ela. Eram tantas as noites. E adormecia sussurrando - nunca mais, nunca mais, por favor.
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