iulo . 22 . salvador . bahia . analista de sistemas . ex-misantropo

[28.6.07]

dump.not so far

Eu já a amei de tantas formas e jeitos e cores. E ainda amo, de um jeito bonito, amigo, cheio de formas. Só me pergunto: por que ela rouba minhas cores, dizendo me amar, fria, com tantos cinzas, distante? Abro mão e me conformo. Doído. Deixa. Que assim de graça, o amor é mais bonito. E amo.

- - Idem:

[26.6.07]

dump.my sweet coke

Eu quero um amor, assim daqueles de verdade. Daqueles de se sentir saudade e querer estar perto. O problema é que eu não acredito nesses amores de verdade. Mas se o amor é de verdade, eu não deveria acreditar? Ora, o que eu não posso é acreditar em amor de mentira. Mentiras não são verdades; amores são tantos. Mas viver amor de verdade cansa tanto. Cansa esperar. E é por isso que eu vivo amores de mentira. Eu vivo mentindo, mentindo. Mentindo as mentiras mais verdadeiras; dos meus verdadeiros amores de mentira.

o o o

Afinal, se eu fosse uma prostituta, nunca daria meu peito para um velho mamar.

- - Idem:

[23.6.07]

bruises

Parece que a vida vai guiando a gente pro futuro de maneira que se torna cade vez mais difícil fazer amigos. Na infância nós estamos na escola e fazemos amigos naturalmente: batendo, babando, mordendo e jogando bonecos na cabeça dos colegas. É uma coisa meio selvagem de pré-escola, mas todo mundo se considera coleguinha e amiguinho.

Mais tarde, no colégio, temos a convivência diária dos outros estudantes; da sua sala, de outras salas, de séries mais adiantadas. Na adolescência temos os amigos do prédio ou da rua. Afinal, temos uma coceira pelo corpo que nos impede de ficar em casa, então saímos pra conversar, tocar violão, jogar futebol, babar pelas meninas mais bonitas.

No terceiro ano colegial começa aquele lance obrigatório de isolamento: é preciso estudar pra passar na vestibular. Os pais implicam se você arranja uma namorada nesse ano, se você come de menos ou dorme demais. Enfie a cabeça nos livros e não pense em outra coisa. É a partir desse ponto que as possibilidades sociais começam a entrar em declínio. Você mantém seus velhos amigos, mas fazer novos?, rá.. exige muita habilidade, vontade e disciplina. Habilidade eu até tinha quando queria ou necessário, mas vontade?, nah. Tá explicado o caos social que eu sou hoje em dia.

Mas daí então você passa numa faculdade e, ao contrário do que se pensa, agora sim, a vida fica difícil. Se você quer ser um bom aluno, prepare-se para fins de semana estudando feito louco, virando noites no computador e negando saídas à rodo. Você já não tem tempo para os amigos do prédio; para os antigos e para os possíveis novos amigos. As saulas de aula diminuem gritantemente a quantidade de alunos, diminuindo juntamente a quantidade de amigos potenciais. Paralelo a isso, o seu grau de exigência em relação à amizades aumentou muito desde a infância: morder, babar e deixar alguns colegas com marcas roxas já não é o suficiente para iniciar um relacionamento.

Tudo exige dedicação, paciência e um toque de simpatia (e muitas vezes empatia) natural. Sem esquecer que cada dia mais a superficialidade toma conta de tudo e todos. Pense em quantos amigos você possui de verdade, daqueles que você pode chamar de filho-da-puta em um momento de raiva e a amizade continua inabalável?

As pessoas que já têm amigos não estão preocupados em fazer novos, afinal, já têm os seus, para quê mais? As panelas se proliferam, a superficialidade azeita tudo, o tempo cada vez mais escasso, a preguiça reinando sobremaneira. Nos primeiros semestres da faculdade você arranja um estágio e é enjaulado num cúbiculo com algumas pessoas de segunda à sexta. Com alguma sorte elas serão legais com você, mas sentem-se constrangidas a se abrirem.

A faculdade termina e o convívio social torna-se ainda mais escasso: já não há mais colegas de curso, de escola, da rua. Restam os poucos amigos de verdade que você conseguiu fazer ao longo do tempo, e sua vida está resumida ao dia-a-dia no seu emprego, com alguns poucos colegas de trabalho; claro, contando sempre com a possibilidade de que as variações de humor inerentes a cada ser humano tornem o dia mais alegre. Ou mais chato.

No ínício da nossa vida adulta, quantos trocentos telefonemas nós fazemos afirmando solenemente: sim, há quanto tempo, hein?, vamos marcar, precisamos nos ver!, deixa ver a próxima semana que eu estarei mais livre.

E as semanas nunca estão mais livres, a cada dia o dia tem menos que 24 horas, e uma hora acaba em menos de 60 minutos. O mês passa antes que saibamos onde foi parar o nosso salário; ficamos mais focados em ganhar dinheiro, em crescer no emprego, em termos um apartamento legal para convidar os amigos no futuro. E o futuro vai passando a cada dia, sem amigos, sem tempo pra amigos, obcecados, frios, superficiais, ocupados; sempre atrasados para o próximo compromisso inadiável. E sozinhos.

o o o

Sejamos francos: viver é uma desgraça.

- - Idem:

[21.6.07]

mouth

Esse fim de semana eu tive um estalo louco de insanidade reacionária consciente e pensei: caraca, meus sisos vão nascer e entortar todos os meus dentes! E os anos usando aparelho ortodôntico, com sofridas idas até o dentista? É o fim do mundo.

Como belo preguiçoso que eu sou, procurei no velho Google sobre o assunto... fui lendo e resolvi contar quantos dentes eu tenho, para depois medir a variação da inclinação lunar e calcular se a fada do dente ainda me reservava alguma surpresa.

Todo os sites diziam que um ser humano adulto tem 32 dentes, exceto por alguns loucos que chutaram 34 (medo). Ignorei por alguns minutos o fato de que eu não estou falando com minha mãe (a velha história do Sidney Magal), e pedi pra ela contar os meus. Diz ela que eu tenho 28.

Bom, se eu tenho 28 dentes, mas já arranquei os 4 pré-molares, significa que todos os meus dentes já nasceram, certo? Ou seja não há siso algum vindo por aí. Assim eu espero.

o o o

Se essas contas estiverem erradas ou se o universo resolver fazer com que nasca o trigésimo terceiro dente na minha boca, eu processo todos vocês; cúmplices dessa esculhambação.

- - Idem:

[18.6.07]

dump.mach 3

Quando eu acordo na segunda com a barba sem fazer desde a sexta, é por que meu fim de semana foi muito bom. Ou muito ruim.

♫ ♫ ♫

Eu só não te convido pra dançar
Porque o assunto que eu quero contigo é em particular

- - Idem:

[16.6.07]

touch me, baby

Eu odeio peitos. Todas as burradas que eu fiz na vida envolviam peitos. Todas as escolhas erradas e todos os vexames. Nunca mais me falem em peitos. Todas as tentativas, todo o estudo, todas as festas e depressões, todos os filmes e todas as noites sozinho em casa; de alguma maneira envolviam peitos. Das notas boas à carteira de habilitação, das palavras bonitas e bordadas às farpas embebidas de crueldade, do café da manhã ao jantar, do planejado ao inconsciente. Todos os arrependimentos religiosos, físicos, emocionais, teraupêticos, comedidos, racionais, impensados. Todas as dúvidas, esquerdo ou direito?, contestações, sofrimentos, reclamações. Acho que preciso de uma pausa, uns belos tapas na cara e uma dor de cabeça bem forte para desejar nada mais que uma cama; solitária e sem peitos. E que o mundo se exploda num grande orgasmo, seguido de uma forte depressão pós-cópula.

o o o

Somos todos uns cínicos, não somos?
Oh yeah, we are.

- - Idem:

[14.6.07]

goku

Vou abrir mais um parêntese na sessão descarrego pra falar de um tema excepcional para a vida humana: a dificuldade em decidir entre assistir ou não um filme japônes/chinês. Antes de falar sobre, eu peço desculpas por misturar chinês com japônes. Eu não gostaria que disessem que baiano é igual a pernambucano ou qualquer outro povo do nordeste. Mas é fogo, porque pra mim chinês e japônes é tudo igual. E pronto.

Falando dos filmes, de uma maneira geral eu adoro pacas os filmes de guerra feitos pelos povos olhos de puxados. Isso começou com O Tigre e o Dragão, que é fenômenal. Depois, do mesmo diretor, veio Herói e O Clã das Adagas Voadoras.

Eu gosto dos estilos de luta, dos efeitos especiais, das cores. Desgosto um pouco das histórias meio gays, e da força excessiva da tradição que rege vários aspectos do enredo. Mas eles são muito bons.

O problema é: agora estão proliferando-se milhares de filmes japoneses/chineses pelas locadoras. Eu assisto aos trailers e até vejo alguns muito bons. Mas a maioria tem sido um lixo. Absurdamente incrível. Pra mim isso tem sido um problema sem fim. Eu não resisto ver a um filme dessa linha na prateleira e não alugar. Quando coloco no DVD pra assistir, uma porcaria. Efeitos especiais rídiculos, história mongóis, diálogos irritantes. Uma frustração indescrítivel.

Acontece que no meio dessas tantas porcarias você encontra filmes muito bons. Por exemplo, Shinobi - A batalha final. Se você gosta do estilo, ignore o nome rídiculo, alugue e chore. Efeitos especiais monstruosos, ótima história, belos cenários e lutas extremamente bem ensaiadas.

Mas pra você encontrar 1 filme bom, tem de arriscar entre 900 filmes ruins. Especialmente os de luta tipo kickbox, onde eles pegam o mesmo ator, fazem 47 filmes iguais, no enredo básico: mocinho lutador, mas pacífico -> fazem algo de mal com ele -> fica nervosinho -> sai matando todo mundo -> não come ninguém -> acaba o filme. Ecati.

O último porém é que, apesar dos trailers de alguns denunciarem que serão muito bons, quem disse que você grava o nome? Tem um que faz meses que eu vi o trailer, mas não lembro o nome e nem encontro nenhum capa na locadora que me remeta ao mísero resumo assistido há tanto tempo.

Isso é que me irrita no capitalismo. Eu tenho certeza de que se eu argumentasse com os [ir]responsáveis pela divulgação dos filmes, eles melhorariam muito todo o processo. E eu assistiria muito mais filmes de qualidade. Infelizmente eu não tenho acesso ao dono da locadora, quem dirá aos bam-bam-bams da selvageria? Droga.

o o o

À merda.

- - Idem:

[12.6.07]

estúpido cupido

A única coisa que eu tenho à dizer nesse dia dos namorados é que ontem minha mãe encontrou Sidney Magal no shopping e pediu autográfo para minhas irmãs. A mais nova veio toda serelepe mostrar a belezura do cartão com a foto dele e a assinatura escandalosa. Veja se eu suporto isso? É óbvio que EU MERECIA O AUTOGRÁFO. Eu gosto muito mais de Sidney Magal do que minhas irmãs e ela NÃO PEDIU UM AUTOGRÁFO PRA MIM. Só por causa disso eu vou ficar 7 meses sem falar com minha mãe.

o o o

E dia dos namorados é mais um retardamento capitalista. Portanto, vão procurar o que fazer.

- - Idem:

[9.6.07]

dump.more

Ela faz comigo o que ninguém mais faz. Enquanto todas as outras pulam, correm, se maqueiam, dançam pra chamar minha atenção, ela simplesmente sorri, com o sorriso mais bobo e ganha meu mundo inteiro num segundo. Enquanto todas as outras tentam penetrar poros e enjoam, ela faz meu coração bater doído e apertado quando some por um pedacinho só. Eu sinto saudades dessa menina como se roubassem metade do meu ar, e não tivesse o mesmo sabor inspirar sem ela. Aquela pequena é a única que me faz querer mais, que me faz segurar as pontas em relação à coisas que por ninguém mais eu aguentaria. É ela que invade meu pensamento e me causa um arrepio pelo corpo todo. É o gosto dela que faz falta na minha boca, o cheiro doce no meu nariz, a pele macia no meu corpo. O abraço dela na pontinha dos pés é o meu consolo no fim da semana. O amor dela é a recompensa por algum dia ter feito algo de bom. É a vontade do pescoço dela que me faz segurar uma hora a mais do sono. São aquelas olhos tímidos que me fazem procurar por algo melhor dentro de mim, para oferecer a ela. A verdade é que com ela, pequenina, bailando em minha mente, é sempre mais. Muito mais.

- - Idem:

[7.6.07]

dump.no pain, no gain

É incrível. Uma pessoa passa quantidades imensuráveis de tempo magoando a outra, de maneiras que ela nem mesma consegue entender ou imaginar. E no fim a outra pessoa se vê escutando um só desculpa. Como se isso fosse o bastante. Como se a vida fosse pegar suas dores dentro de um grão de areia e jogar para trás, como quem tira um cisco do olho.

Eu até pensei em esboçar alguma conversa, em falar, em dizer, em me indignar. Mas foi tão surreal ouvir, que eu não tive nem forças pra imaginar um diálogo.

Vamos ver se com um passe de mágica eu passo saio do lado dos que são fudidos para o lado dos que sabem foder.

Cada dia que passa eu me canso mais de vocês, seres humanos.

- - Idem:

[2.6.07]

dump.notes

Escrevo. Não sei por quê. Para afugentar fantasmas, para esvaziar o peito. Para fazer parar os pensamentos por um instante. Para esquecer que sou o mesmo. Para parecer mais perto de tudo que está longe. Para expor aquilo que eu gostaria de conversar com um amigo. Talvez para transcrever aquilo que eu sinto e gostaria que fosse perceptível entre linhas. Escrevo de birra, de raiva, de alegria. Escrevo quando estou triste ou quando estou feliz. O que pode variar do começo ao fim do dia. Não escrevo quando estou ameno, acostumado, isento de sentimentos corriqueiros. Ser ameno não tem tanta graça. Prefiro os extremos, equilibrados. E escrevo, escrevo. Te escrevo.

o o o

Oh, yeah. O primeiro porque é junto, separado, tem acento ou morde? No idea.

- - Idem: