Deixa ver por onde eu começo isso. Bom, uma tal de Nada Marjanovich, uma editora de revista dos Estados Unidos quis fazer uma viagem para esta quase boa terra de onde vos falo (Salvador - Bahia) e foi parar no país El Salvador. A pequena batalha dela é divertida e simples de ler (aqui, em inglês).
Mas o interessante é o local onde o texto foi postado. O famoso jornal The New York Times mantém um site na web (site na web já se tornou uma redundância? afinal, a pessoa vai ter um site aonde? Ah, é que eu tenho um site na rede de geladeiras do meu bairro - tá parei) que possui um Guia de Viagens belezinha-de-mamãe.
Veja aqui o que um certo David Kirby fala sobre a terra do axé, com base numa visita que ele fez com um amigo. Dentre muitas coisas, é interessante o trecho em que o autor foi parar no Mercado de Sete Portas. Primeiro que o nome do lugar é mongol, e até que eu descubra por qual razão ele foi batizado assim, vai continuar sendo (baianos, pronunciai-vos). Segundo, porque o local é triste. Pense num lugar bagunçado com pessoas que andam pela rua se esbarrando mutuamente; é o Mercado de Sete Portas.
Em outro trecho o tio Kirby diz ter chegado num banca de madeira onde havia contas de vidro coloridas, maços de incenso, figurinos misteriosos, que ele presumiu serem usados nos rituais do Candomblé - the African-Brazilian animism that is a major Bahian religion. Na primeira lida eu pensei que ele falou que o Candomblé era a maior religião da Bahia. Aí eu pensei, será? Isso já explicaria a quantidade de macumbas que a gente encontra pelas ruas. Eu acho que é feio desperdiçar farofa - só que o Google não me ajudou a encontrar nenhuma informação sobre o tamanho do Candomblé por aqui (exceto que existem mais de 2.000 terreiros registrados em alguma associação de desperdiçadores de farofa que eu não lembro mais o nome).
Mas voltando, depois eu me dei conta e fui olhar no dicionário que a palavra major pode significar tanto maior, quanto principal, mais importante ou simplesmente grande. E, ainda, mais velha. Eu torço para que ele tenha tentado dizer qualquer coisa que não maior. A religião mais importante da Bahia, só se for nas contribuições culinárias. A principal, só se for nos livros de história. Talvez seja a mais velha, vai saber. Mas eu não gosto da idéia de gringo vir pra cá achando que todo baiano é macumbeiro e fica sentado numa cadeira de balanço fumando charuto esperando o santo fazer o download.
Sobre o pelourinho, ele diz coisas como the beautifully restored colonial heart of Salvador e ancient but brightly painted walls. Todo mundo sabe que o pelourinho não passa de um monte de casinhas coloridas, cheia de baianos, e só. Ah, e acrescente um punhado de mendigos e pedintes que lhe dão medo. Até o Kirby sabe disso gente. Ele só pecou em usar a palavra beautifully. Mas é isso. O pelourinho é o coração colonial da belezura aqui, foi restaurado, e as antigas paredes foram pintadas com cores brilhantes. Não espere nada além disso.
Outra coisa, olha a descrição dele para o axé: African-Bahia's musical gift to the world. Presente musical da bahia-africana para o mundo? Fato: quem gosta de axé tem problemas. Eu gosto da Claudinha Leite. Não de axé. Ninguém gosta de axé. Só os estrangeiros e os desprovidos de gosto musical. Gringo gosta de axé e acha lindo. Aliás, que tendência é essa onde se torna obrigatório gostar de tudo que é diferente e incomum? Eu não sou obrigado a gostar de poloneses dançando a polka, nem de índios fazendo aqueles rituais circulares e gritentos. Não mesmo. É diferente? Sim. É bonito? Não, porra! Vamos parar com essa babaquice.
Olha a descrição dele para as baianas: women who worship Candomblé deities and wear colorful beaded necklaces and white clothes, including turbans and wide, lacy dresses that look like African hoop skirts. Uma coisa é fato, acarajé é mais gostoso quando tem uma macumbinha. Todo mundo aqui se ofende quando eu falo isso. Mas fazer o quê? Eu acho que é a raspa de osso de morto que dá um toque especial. E isso, a macumba no acarajé, é fato, como descrito pelo meu amigo Kirby (na Bahia, quando você menciona o nome de alguém 3 vezes, ela automaticamente se torna seu amigo), baianas são mulheres que usam belos e coloridos colares de contas, vestem roupas brancas, incluindo turbantes e vestidos rendados e adoram as deidades do Candomblé. Portanto: macumba. Pelo menos ele não falou que as baianas são bonitas - em que lugar do mundo uma baiana de acarajé é bonita meu Deus do céu? Baiana de acarajé é uma coisa escandalosa e não agradável de se ver. Debaixo daqueles panos todos tem muita mulata linda de se morrer, mas caracterizadas com aquela parafernalha toda, instantaneamente ganham centos anos de vida e se tornam velhas remelentas.
E olha que eu comecei esse texto querendo elogiar o site do The New York Times, mas terminei divagando sobre os absurdos que as pessoas conseguem apreciar nessa cidade. Eu amo Salvador, mas por outros motivos (que incluem o mar, a malemolência displicente que rege o dia-a-dia baiano, o acolhimento da pessoas, a comida; e o dendê que corre nas veias, que ninguém mais tem).
Eu tentei dar uma olhada nos textos dos outros colaboradores gringos, mas quando li que Salvador é uma incongruente mistura do sagrado e do profano, eu tive de parar. Esta porcaria deste clichê (verdadeiro, diga-se de passagem) já rodou o mundo e foi dito até em inglês.
De qualquer forma, vale a pena dar uma olhada na página geral do guia de viagens para Salvador, muito bem feito, completo, com mil funcionalidades (agendamento de viagens, consulta de preços de estadia e alimentação etc). Lá na página onde fica o texto do amigo Kirby, procure o título em que aparece escrito Plan Your Trip, selecione Brazil e veja os destinos que possuem um guia. Quem sabe você não gasta um tempo se divertindo, lendo o que as pessoas lá de fora pensam e escrevem sobre o lugar que você mora.
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Antes de finalizar fui checar no Google se o velho Kirby não era algum famoso, para não me passar por completo ignorante e, veja só, parece ser: www.davidkirby.com. Poeta e Professor, livros publicados... uma beleza. Anyway.
Putzgrilaqueospariram. Alguém aqui já escutou Mombojó? A banda tem tudo para ser muito boa. Preu não ficar no lugar-comum, olha o que a Folha de São Paulo disse sobre o primeiro CD deles, chamado Nadadenovo:
Efeitos sonoros se confundem com dramas amorosos, graves espetaculares chocam-se com improvisos jazzísticos, cada músico indo para um lado, e é justamente essa disparidade de papéis que dá a surpreendente - e madura - unidade sonora do grupo... Nadadenovo avisa pro resto do Brasil que este ano os trabalhos começam antes do Carnaval, com um disco surpreendente, coeso, reverente e, que beleza, divertido.
E eles são tudo isso, mesmo. Só tem um problema: o vocalista. O cara é muito fraco. Sério, parece que a mãe esqueceu de alimentar o menino. A voz não sai. Ele se esforça, mas soa como uma rouquidão eterna e incurável. Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que os caras são de Pernambuco. Uma coisa é ter amigos pernambucanos, conversar com gente de Recife, ler coisas daquele povo lá de cima.
Outra coisa completamente insuportável é ouvir um pernambucano cantar. Eu tenho sotaque, falo cantando, mas eu não falo... bom, tire suas próprias conclusões aqui. Note a pronúncia das palavras encardida, perdida, sentir... imagine ouvir dois álbuns inteiros com esse rapaz cantando desse jeito? Eu queria estar num show deles. Ia subir no palco, dar um tapa no meio das costas do infeliz e gritar: canta direito, porra!
Eu só queria saber qual foi o critério pra colocar esse cara nos vocais. Conseguiram estragar uma banda que tinha tudo pra dar certo. Muito certo. Viva.
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Não vou nem falar do clipe... que merda é aquela do cara cantar com uma meleca gelecosa escorrendo na face? Meu Deus do céu. Haja gente doente nesse mundo.
Coisa que em alguns momentos me irrita em morar nessa droga desse país é a falta de acesso à tecnologia por um preço justo. Há um tempo atrás eu vi numa matéria que um iPod custa mais caro aqui do que em todos (ou quase todos) os outros países. Não que eu queira essa porcaria, mas é um belo exemplo do absurdo em que vivemos.
Um bom notebook aqui custa em torno de R$ 3.500,00 (Core 2 Duo, 2GB Ram, 120GB HD). Isso nos fornecedores master secretos e exclusivos da terra do axé.
Só que um notebook desses não tem uma boa placa de vídeo (que dê pra jogar brutalmente, por exemplo). Ou seja, é o equivalente a uma loira de olhos azuis, seios maravilhosos e uma perna só. Dá pra fazer muita coisa com uma loira maravilhosa de uma perna só, mas não dá pra fazer tudo e alguma hora vai bater uma insatisfação, capisce?
Daí você entra nos sites de lojas gringas e vê que o notebook dos seus sonhos custa em torno de U$ 1.200,00. Praticamente um estupro capitalista. Eu fico puto. Demais. Porque nem comprar fora você pode. A amazon.com (uma das maiores lojas virtuais americanas) tem notebooks fenômenais, por preços excelentes. Mas para o Brasil eles só entregam livros, DVD's e CD's (que beleza).
E se você comprar em outra loja no exterior e pedir pra entregar aqui na nossa boa américa latina, os filhos-da-mãe da alfândega vão taxar o bicho em cerca de 60% do seu valor. Melhor, os notebooks lá são mais baratos e muito mais potentes.punks.equipados e sensuais; com a placa de vídeo que você gostaria e sobrando. É praticamente como ter uma loira de 3 pernas equipada com um forno de microondas nas costas. Não que ninguém precise de uma loira de 3 pernas capaz de fazer pipoca em si mesma; mas já imaginou as possibilidades?
Só me resta ficar puto e fazer força pra nascer de novo em outro país. E vão à merda os nacionalistas inflamados. O Brasil é lindo, as mulheres são lindas, as florestas são lindas, as praias maravilhosas, a língua portuguesa é linda, as índias têm o peito caído e falta um dedo no Lula; mas, tirando a culinária, todas as coisas que eu gosto (tecnologia + música + cinema + etc; ou seja coisas industrializadas e não naturais) custam caro pra caramba nessa terra de belezas primárias. E olhe que eu nem mencionei os custos baixos e velocidades estupendas da internet banda larga lá fora; o preço disso ou de qualquer outro bem de consumo que envolva um processo fabril.
o o o
Melhor ir à praia celebrar a farta areia que invade o seu traje de banho, calçando suas super-nacionais Havaianas.
E as loucuras que fazemos quando estamos apaixonados? Eu já quis ter dois cachorros, já quis ser caolho, quis ser palhaço. Eu já quis vender meu carro, quis comprar roupas, quis ser atropelado. Já quis ser assassino, quis ser pacífico, até busquei emancipação. Engoli comidas ruins, comprei doces e por pouco não dei calote. Quando apaixonados, quantos deletérios sentimentos nos atingem? Quantos outros possíveis amores se tornam sombra em dia de verão? Quantas decisões loucas tomamos, quantas tantas outras decisões somo incapazes de tomar? Porque por amor eu já quis ser roto, já fui torto, errei feio, queimei o dedo, soquei olhos, engoli em seco, molhei o rosto, gripei, ralei os joelhos. E depois de tanto, tanto, aprendi que prova de amor não é fazer mil coisas, roubar o mundo, correr e lutar e vencer e morrer e chorar e se descabelar gritante num dia de chuva em avenida principal. Prova de amor é aquietar o mundo dentro de você e escolher passar grande parte dos seus dias ao lado de um único, tranquilo e sereno, calmo e bonito, mas só um, nem dois, nem três; só um amor. Aí você entende quando os mais velhos dizem que amor é escolha. É isso. O verdadeiro amor é escolha. A mais difícil. E a mais bonita. Amo.
Caraca, na boa. Eu já não assisto TV (excetuando-se o Pânico nas noites de domingo), agora vou ter que parar de acessar sites.
Primeiro veio aquele lance do BBB 7. Aí aquela história da Iris com o Alemão. Aí a Iris saiu da porqueira da casa e jurou de pé junto que não sairia nua em capa de revista. Depois mudou de idéia e saiu nua. Tudo bem, eu não sou nenhum demagogo purista iconoclasta conservador pós-moderno pseudo-pluralista.
Mas o que irrita é o nhem.nhem.nhém e a atitude dela diante do fato. A mídia começou a especular que as fotos renderiam pelo menos 700 mil reais à tabaroa. A Playboy negou que a soma tivesse chegado a tal valor. Quando questionada, a jumentinha respondeu: Mentira! Nunca posaria nua por uma quantia menor que essa.
Ou seja, ela defende o fato de ter ganho uma alta quantia de maneira tão veemente que é como se isso fosse redimí-la de ter exibido a sua vagina ao público. A partir do momento em que ela se negou a tirar as fotos, ela era uma santa. Quando sondada pela revista e negou-se, manteve o status de menina pura do interior. Se oferecessem pouco, e ela aceitasse, tornaria-se instantaneamente uma vendida, uma garota fácil, envergonhando seus primos sem dentes e os bichinhos da fazenda.
Mas nãaao, como ela recebeu muuito dinheiro, está tudo justificado. Pode sair por aí exibindo a piriquita e continuar sendo a queridinha do Brasil.
Portanto, lição do dia, meninas: pousar nua por R$ 695 mil faz de você uma puta. Receber mais de 700 mil reais para tal, faz de você uma pessoa nobre e valorizada. E anote: toda e qualquer quantia obtida com a exibição do corpo deve ser diretamente aplicada na compra de uma casa para os pais, fator que atenua ainda mais o aspecto bacanal da coisa (lembrando-se sempre de divulgar amplamente o fato).
Eu só não me irrito mais porque ela é burra e chatinha, mas é uma graça.
UPDATE:
Eu pensava em posar para a 'Playboy' quando estava na casa, mas achava que as outras meninas, como a Fani e a Carol, estariam na frente. Eu sempre sonhei, mas não achava que aconteceria.
(Iris na noite de lançamento da revista, segundo o EGO).
Mas como assim, caraca? Primeiro ela disse que não ia, depois disse que só ia por muito dinheiro, depois disse que era sonho? Na boa, metade do valor que ela recebeu deve ter sido só pra dizer essa frase. Me recuso a comentar mais alguma coisa. Odeio gente e pronto.
o o o
E você, amigo da mão cabeluda, que veio parar aqui através do Google enquanto buscava a combinação Iris + Playboy + fotos... se ferrou ;D
Não, sério, por favor. Parem com isso. Já deu no saco há muito tempo: a Juliana Paes é uma mulher nada mais do que normal. Aliás, ela é uma normal que tende ao esquisito. Em todos os cantos é essa história de dizer que ela é fenômenal, que ela é maravilhosa, que ela entrou no top 100 das mais sexys do mundo. Quem disse isso? EU NÃO VOTEI NESSA BIROSCA.
Pra mim ela é nada mais do que uma mulher bonita qualquer. E veja lá. Fala sério; da próxima vez olhe bem para a cara da pessoa e me diga pra quê todo esse frenesi? Tem mulher muito mais bonita do que ela, brincando.
Se você sai no shopping num sabádo à tarde (reduto das patricinhas, sempre produzidas) encontra várias com o mesmo grau de beleza. Pior, se você encontra a Juliana Paes na rua o máximo que dá pra fazer é perguntar: mas tiaa, pra quê olhos¹ tãao grandes? Ela é bem esquisitinha com aqueles olhos enormes de amêndoas arábes.
Se for pra falar do corpo, tudo bem, eu me rendo. Ela tá com todos os centímetros nos lugares certos. Mas bonita.. beleza, rosto, essas coisas? A única coisa excepcional são aquelas bochechas², que dão vontade de morder. No mais, vamos parar com esse mongolismo gratuito de elevação irracional da beleza alheia.
o o o
¹ olhos, mesmo. Globos oculares, sabe? Não outra coisa, engraçadinhos.
² bochecha, exatamente. Eu não disse nada além disso.
Resultado do meu esforço repetitivo (não deu pra fugir do diagnóstico): 3 injeções intra-musculares de corticóides + complexos gays de vitamina B; 10 dias tomando comprimidos anti-inflamatórios; aplicação de gelo durante dois minutos a cada 1 hora, indefinidamente; correção de postura; reeducação digitativa (eu tenho a manha linguística, hein?), mudança de mesa e menos tempo ainda no MSN e afins, concomitante à tentativas frustradas de ser mais direto nos textos; pra economizar os dedos, sacou? Portanto, não estranhem ;D
Lembrando que da última vez eu tive problemas estomacais gratuitos por conta do remédio. Dessa vez a bula do novo medicamento (piroxicam, veja se isso é nome) diz o seguinte: sintomas gastrointestinais são os mais frequentemente encontrados, apesar de na maioria dos casos não interferir com o curso da terapêutica. Estas reações incluem: estomatite, anorexia, desconforto epigástrico, náuseas, constipação, desconforto abdominal, flatulência, diarréia, dor abdominal e indigestão.
Não interferir com o curso da teraupêtica? Não interferir com o curso da teraupêtica é o meu pinto. Mas o mais fenômenal é: constipação. Você olha no dicionário e a palavra serve tanto para resfriado quanto para prisão de ventre. Uma belezura só.
Detalhe, dentre os milhares de efeitos colaterais, rola também o seguinte: efeitos sobre o SNC, tais como cefaléia, tonturas, sonolência, insônia, depressão, nervosismo, alucinações, alterações de humor, pesadelo, confusão mental, parestesia e vertigem, têm sido relatados raramente.
Tudo que eu precisava.
E eu ainda me espanto com essa indústria farmacêutica.