divagações de uma vida monótona
iulo . 22 . salvador . bahia . analista de sistemas . ex-misantropo
arquivos divague
[30.9.07]

tartarugamente

Uma das razões pela qual me é muito difícil viver, é o fato de que eu não desisto. E não falo disso como mérito, benção ou qualidade. I'm not a fighter. Eu simplesmente não desisto. E é por medo ou teimosia. Não por coragem e determinação. Mas por receio do que eu posso enfrentar caso resolva operar uma mudança drástica em alguns dos fluxos dessa porcaria que chamamos de vida. Todas as vezes em que tentei alterar o percurso "natural", eu me ferrei.

Eu fico naquela sensação forte de que vou perder algo importante caso mude de idéia, ou que vou me arrepender amargamente caso arrisque alguma coisa não usual. Nessas horas consigo até ver a minha queda enquanto a facção inimiga tripudia sobre a minha fraca estratégia guerrilheira, com suas caras pintadas e tambores tribais.

Tomar uma decisão não é processo fácil, e falo aqui genericamente. Porque não, não há, no momento, nada específico me incomodando mais do que o normal, mais do que o respirar diário. Trata-se somente de mais uma divagação que, como tal, não tem muito rumo nem origem.

Anyway, talvez por conta disso eu goste da informática, goste de desenvolver sistemas. Para fazer um programa você escreve algumas centenas de linhas de códigos e existem inúmeras formas de fazer uma mesma coisa, de criar uma certa funcionalidade. E cada uma das formas vai ser melhor para determinada situação, levando em consideração o objetivo, custo e tempo disponível. O fato é que, caso a escolha que você fez não tenha sido a mais adequada, pressiona-se sem dor a tecla delete.

Melhor, o desenvolvimento de um sistema pode ser dividido em inúmeros módulos, não muito extensos, onde pensa-se analiticamente sobre a melhor estratégia para cercar os problemas envolvidos. Pensa-se sozinho; pensa-se em conjunto. Pede-se opiniões técnicas, especializadas, discute-se em fóruns. Possibilidades são ponderadas e tomar um pouco mais de tempo do que o previsto para refletir não causará falências múltiplas de órgãos em nenhum ser vivo.

Relevando o aspecto imbecil da coisa (que é quando alguém resolve comparar porcamente a vida a um programa de computador) o problema da vida é que os seus módulos são grandes e importantes em excesso. Profissão, família, faculdade, amigos. Nada é simples, nada é deletável, de fácil exclusão. Certas decisões não podem ser refeitas sem prejuízo, sem dor; própria ou de outros. Não há experimentação gratuita, não se pode pedir uma colherada de cada sabor da sorveteria. É preciso juntar num grande saco a sua pouca experiência acumulada, sacodir, enfiar a cara dentro, esticar o braço e puxar dali alguns bilhetes que dirão se sua vida será boa ou ruim, certa ou errada. Sem analistas para lhe ajudarem; cercado somente de pessoas com tanto medo de errarem quanto você.

E não me venham com aquele bla bla bla infanto-juvenil de que a graça da vida está nisso e eteceteras. Em alguns momentos todo mundo já sentiu um frio absurdo, um choro de criança, mesmo que a vida adulta esteja batendo à porta; uma consternação e um imenso sentimento de não sentir. Uma falta de razão em tudo que se sente e toca. Senão, acho que você nunca se pegou refletindo sobre o porquê numa melancólica tarde de domingo.

E, honestamente?, pra mim há muito mais poesia em dizer que teme, sofre, em assumir que ,porra, é difícil mesmo; do que em moleques que acham-se sábios centenários, que desde muito cedo aprenderam a viver com perfeição entre tantos percalços.

Até porque a perfeição certamente não está em pensar que vive bem quem esgueira-se bravamente entre as brechas, sem percebê-las, sem nunca vacilar. Pra mim, isso nada mais é que ignorância, passiva ou ativa, das possibilidades e consequências, é contentar-se com muito pouco ou nunca ter traçado um ideal (mesmo que simples). Sábio foi o infeliz que afirmou que ignorância é felicidade: alguma coisa ele sabia, e certamente, era triste por isso.

Talvez o único aspecto que resta de encantador em tudo isso é temer e enfrentar e errar; e dessa forma sentir-se vivo; mesmo que fodido e vacilante, receiando fazer merda outra vez. E, ainda assim, essa sensação de fodido-estar-vivo é uma droga. Por isso, o que me resta é não levar a vida tão a sério. Portanto, esqueçam, eu não sei de nada, nem do que estou falando.

Na verdade, a única coisa que eu queria era desabafar: quem dera viver fosse fácil e divertido como pressionar backspace e escrever tudo outra vez.

20:05 - - Idem:

[26.9.07]

cisco

Assim, tudo bem que spams já são parte incômoda e costumeira da nossa vida, assim como mosquitos e calor. Mas hoje eu recebi um e-mail fenômenal. As primeiras frases, intercaladas por um link qualquer, eram as seguintes: You wish you could wear a skirt on the beach so nobody can notice your size forget it with Penis Enlarge Patch. Do you want to possess the whole world? Try our Penis Enlarge Patch and you will be the master of the universe .

Acontece que ao ler isso meu cerébro deu um nó, que só desatou quando eu comecei a escrever esse texto. Eu pensei: calma, se eu não filei as aulas de inglês, skirt é saia, correto? Ou seja, como uma pessoa iria querer usar uma saia e estaria impedida porque senão notariam o tamanho do seu PÊNIS? Isso foi um e-mail ao contrário direcionado para o público travesti?

Passado o surto, entendi. Ele quis dizer que o cara desejava vestir uma saia para que não notassem o tamanho do seu bingulinho. Tudo bem, agora tudo faz sentido e os gênios que criaram essa pérola milenar estão perdoados por toda a eternidade - porra nenhuma.

Tinha que ser uma saia? Não podia ser qualquer outro adereço menos gay, que os homens geralmente usam quando vão à praia e não querem vestir uma sunga? Tipo assim, errr, ahnn... como eu diria, uma bermuda?

Putzgrila, viu. Mas o melhor de tudo foi: você quer possuir o mundo? Experimente o nosso bla bla bla e você será o MESTRE DO UNIVERSO. Não, na boa, o que será que se passa na cabeça das pessoas que criam esses e-mails? O argumento supra-sumo deles é dizer que você se tornará o mestre do universo por causa do tamanho do seu canudinho de fazer xixi. Amazing. Sem contar a subjetividade cósmica: afinal o que é um mestre do universo?

O melhor de tudo é imaginar quando o cara for declamar o seu direito recém-adquirido: olha só gente, plantinhas, animais, planetas, corpos celestes, sol, insetos, terra, ar, fogo... todos vocês; eu tenho uma coisa a dizer: agora sou o mestre do universo - eu tenho um pintão.

o o o

Se tiver algum ácido desses para eu me tornar o Mestre dos Magos, aí eu topo.

20:23 - - Idem:

[23.9.07]

oil

Revelações sobre uma pele oleosa.

01:59 - - Idem:

[19.9.07]

shake, shake, shake

Sabe o Daniel Johns, do Silverchair?, pois é. Eu lembro do Silverchair fazendo sucesso por aqui naquela época em que a maioria do(a)s leitore(a)s desse blog eram adolescentes, melancólicos e confusos quanto ao tamanho do seu seio esquerdo, ou do seu pinto; ou de ambos, vai saber. Isso na época das canções Miss You love, Ana's Song e Emotion Sickness (tem nego aí chorando já, lembrando da época em que ficava em casa de castigo e só podia assistir a MTV).

O álbum da vez era o Neonbalroom. Mas antes dele já tinham sido lançados o Frogstomp (o primeiro, quando eles tinham uns 15 anos e já eram monstrinhos musicais) e o Freakshow (por sinal, dois discos que não me agradam muito). Depois do Neonbalroom (que é o terceiro, contou?) foi lançado o Diorama, que estourou na mídia com músicas como The Greatest View, Without You e Luv Your Life (que toca no meu celular quando a minha pequena me liga).

Durante essa trajetória, Daniel Jonhs teve todas as hemorróidas possíveis que uma pessoa pode ter. De anorexia até uma doença louca nos ossos. O fato é que antes do lançamento do quinto CD da banda (Young Modern), ele se lançou num projeto insano com um australiano igualmente maluco (Paul Mac) e fez algo fenômenal (essa introdução toda era pra falar disso): The Dissociatives.

Pra tentar ser mais curto, The Dissociatives é lindo. Se você conhece o Young Modern, basta saber que The Dissociatives é mais maluco e trabalhado que o último álbum do Silverchair. Os dois lunáticos conseguiram criar uma música tão piro-eletrônica e cheia de nuances que eu acho que se torna impossível de ser reproduzida num show ao vivo.

Do australiano maluco eu nunca tinha ouvido falar. Mas o Daniel Jonhs é demais e eu sou fã do cara; puxo o saco, porque ele é fera. Pode até ser que ele seja liricamente confuso (preu não dizer que ele é pirado), mas musicalmente, o cara é sensacional. Se a fada do dente me perguntase você gostaria de cantar como qual artista?, eu não pensaria duas vezes: Daniel Johns! Ainda ia dar uma voadora nas costas da Fada e chamá-la de gorda, de tão boçal que eu me tornaria.

Eu não sou músico, muito menos crítico musical. Falo aqui de coisas que eu gosto e sinto e simplesmente me vêm à cabeça. Mas ouvir The Dissociatives é uma coisa tão fenômenal que você não pode fazer isso no escuro. Eu estava escutando antes de dormir em meus fones de ouvido e fiquei com medo. Eles conseguiram fazer uma música tão monstruosamente cheia de detalhes e texturas, que é como se você conseguisse lambê-la com o olho. E olhe que eu não fumo maconha; orégano só na pizza.

Você ouve The Dissociatives e consegue se sentir dentro de um laboratório cheio de tubos de ensaios estroboscópicos, passando por uma floresta nevada; ou fugindo alucinadamente da Samara Morgan (seven days); sendo transferido para uma savana africana onde antílopes correm alegremente e saúdam Simba, o Rei Leão. De repente você acaba de pescar um peixe espada num pequeno iate e ele rouba seu canivete suiço enquanto sapateia deslizantemente feito o Michael Jackson.

Na música seguinte você está correndo num túnel escuro, fugindo de policiais lésbicos que querem roubar o seu lábio de botox e você se transforma num Robocop com a cara do Brian Adams e diz: come on, baby!, enquanto os policiais lésbicos viram as dançarinas da antiga abertura do Fantástico e todo mundo coreografa a macarena juntamente com o Dumbledore.

Enfim. Se você gosta muito de música, recomendo The Dissociatives do fundo do meu tímpano.

o o o

Lógico que para alcançar os efeitos descritos é preciso atenção, vontade, paixão leiga e desinteressada por música de uma maneira geral, e um bom par de fones de ouvidos.

21:31 - - Idem:

[16.9.07]

forget it

Ultimamente tenho acessado blogs de muitos jornalistas (ao menos penso que todos aos quais vou me referir aqui os são) e é uma coisa linda. Sabe quando você tem certas convicções, ou melhor, quando você tem uma certa referência máxima sobre alguma questão e de repente algum fato novo faz com que você repense tudo? Eu já tinha meus critérios para separar uma boa escrita de uma escrita comum, uma escrita impecável de uma escrita excessivamente culta e enfadonha. Depois de ler alguns destes blogs, meus conceitos mudaram.

Porque eu odeio textos excessivamente densos, odeio vomitação de dicionário e exibicionismo literário gratuito. Já tinha certo que uma determinada forma x de escrever era a que mais me agradaria por toda a vida e ponto final. Mas depois de alguns bons blogs, descobri que é possível escrever de maneira interessante mesmo com um vocabulário de certo modo complexo. É possível ser divertido escrevendo de maneira rebuscada, métrica, medida; e ainda assim falar do trivial com originalidade.

Alguns destes blogs de que falo estão aí do lado, na minha barra de leituras recomendadas. Cito manualmente alguns: o amigo Ed, o Caio Andrade e o Jean Piter Inzaghi.

Nessas horas fico um tanto triste, eu queria escrever bem assim, e ainda ser capaz manter o bom-humor naquilo que viesse a escrever (é que às vezes me parece impossível ser engraçado de uma maneira universal e ao mesmo passo manter alta a qualidade literária de um texto: é preciso efetuar alguns deslizes). Nesses momentos eu penso que deveria ter escolhido uma carreira mais voltada para a literatura, escrita e afins; qualquer coisa que me fizesse ler e escrever mais. Porque tudo que eu faço por aqui é mero hobbie, coisa de amador.

Nesses instantes tento me consolar, pensando que estes belos escritores vivem ou terão de viver disso, é coisa de profissão, não passa de obrigação escrever de maneira impecável. Sendo assim, resta a mim a contentação em desempenhar moderamente bem atividades múltiplas e díspares (como a escrita e a informática); me contentar com o fato de ser apaixonado por ambas e, assim, aquietar o coração. E a mente.

Outro ponto é: se eu me dedicasse à pratica constante da escrita, e buscasse ser tão bom quanto esses que citei acima, perderia parte dos leitores que entram aqui em busca de diversão barata, de algo leve pra distrair a cabeça durante alguns minutos. E os amigos começariam a me achar chato. E eu começaria a me achar incompreendido. E... já viu. Mas não seria então essa contentação - acomodação - me nivelar por baixo?

Droga de crise. Eu não deveria estar falando sobre nada disso. Esqueçam, esqueçam. Vão, dediquem alguns bons minutos lendo os indicados, parabenizem-nos, salvem-nos em seus favoritos e voltem para cá, claro. É o que tenho feito, e tem sido muito bom ;D

12:37 - - Idem:

[13.9.07]

blasé?

Eu ando me sentindo tão vil, tão sozinho; tudo tão ruim. Eu que costumava ser tão correto, quase nobre. Me sinto meramente humano e corrupto. Mesmo sem ter corrompido ninguém, nem a mim, vai saber. Só sei que quero dormir por 16 horas seguidas. Quero voltar, ao menos por um tempo, a ser o bom e velho misantropo que eu costumava ser. Era solitário e triste. Mas agora é triste e parcamente acompanhado e apertado por todos os lados. Há horas em que não adianta falar, falar, escrever, escrever, desabafar, desabafar, chorar, gritar, espernear. E aí a gente vai e ouve música até não poder mais, na tentativa vã de preencher com acordes esses milhares de vazios por todos os cantos. Eu preciso de um dia com 37 horas. Até porque tem horas que viver é uma bosta, e não há outra palavra pra expressar isso que a vida é; e ponto final. Nessas horas eu quero dormir - e ainda assim ter tempo pra fazer as poucas boas coisas que restam nas outras horas. Isso quando elas, as boas coisas, resolvem fazer algum sentido. Se alguém me entende, levanta a mão. E não faz barulho. Boa noite.

o o o

Update: para alguma coisa serviu esse texto! - agora eu já sei qual será meu próximo atentado constante de mongolismo. Inspirado pelos comentários da querida Jubs, vou abordar as pessoas na rua e indagá-las, no tom mais sério possível: Oi, qual é o sentido da vida?

Perfeito.

22:30 - - Idem:

[11.9.07]

columbia pictures apresenta

Nós costumamos usar um punhado de adjetivos padrões para qualificar as pessoas. Simpático, bonita, engraçado, inteligente. Sério, magra, alto, gordo, chata. Por aí vai. Acontece que nesses tempos de internet.orkut.msn.o.pinto.do.meu.pai, há de se considerar um adjetivo quase tão importante quanto os outros já citados: fotogênico.

Não que seja fator necessário, mas com toda essa tecnologia (especificamente com o advento das câmeras digitais), ser fotogênico torna a sua vida mais divertida. Eu não sou e pronto. Tirar fotos é um tormento. Aperta-se aquele maldito botãozinho, uma luz bandida vulgarmente denominada flash percorre o ar, atinge seu olhos, o obturador emite um barulho característico e fica lá aquele registro de uma pessoa que pode ser qualquer um no universo, exceto você. Sob hipotése alguma. Nem tortura ou dose de laxante.

Antes eu achava que era mera tendência da minha pessoa à feiúra ou falta de habilidade para a arte de uma maneira geral (sair bonito em fotos já é uma arte?); mas comecei a notar as pessoas ao meu redor e percebi que esse é um problema aleatório e generalizado.

Conheço inúmeras pessoas que são lindas e charmosas e simpáticas, mas tornam-se instantaneamente estranhas ou pouca belas quando congeladas por um desses dispositivos fotográficos do cão. São pessoas belas, que estão aí do seu lado, sorrindo, encantando o dia, mas transformam-se em psicopatas de olhos esbugalhados e sem coração ao serem visualizadas nessas pequeninas telas de LCD.

Portanto, não mais julgarei a aparência (e charme, e simpatia, e hálito, e integridade moral) do próximo com base em meros registros fotográficos. Lembrando também que muitas pessoas se valem do efeito contrário (às vezes photoshópicos, é verdade): são fotogênicas, não necessariamente bonitas, e tornam-se praticamente modelos em fotos; mesmo que na vida real estejam bem longe disso.

A partir de hoje não tiro mais fotos. Aceito tão somente pinturas feitas por artistas famosos. Com pincel nº14, tintas naturais e produzidas até as 15h em equinócios de outono. Obrigado.

o o o

Sumi esses dias da vida virtual porque estava recebendo visitas mais que especiais cá nestas terras de tempo louco ;D

18:22 - - Idem:

[3.9.07]

me chamo iulo

Sobre barbas, chefes, clientes, dificuldades inerentes ao meu nome e afins.
Ou não.

09:17 - - Idem:

home
aaaaa
aaaaa
recomendo
all.about.my.dick
improfícuo
ela.nua
livre.essência
três.da.sete
reformatório
guarda.chuva
parênteses
vida.de.tiago
behind.the.screen
ieda
em.sanja.city
la.belle.cherie
srta.bia
nova.era.dela
allê
siga.em.frente
tosco.e.ventre
blog.do.aju
tantos.clichês
sententia
meias.palavras
vida.incoerente
sapos.e.halls
apenas.ser
caio.andrade
os.z.etes
relances
uva.fanta
chiqueiro.chique
tanto.a.saber
ouvindo
death.cab.for.cutie
bloc.party
maroon5
juliette.and.the.licks
motion.city.sound.track
legendas
dump: textos antigos e guardados, nunca postados.
old: textos postados em outros cantos.
divagar
errar ao acaso; vagabundear; sair arbitrariamente do assunto que estava sendo tratado; devanear; fantasiar.