divagações de uma vida monótona
iulo . 22 . salvador . bahia . analista de sistemas . ex-misantropo
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[26.11.07]

em dois atos

Toda vez que me apaixono por ti é como um dia frio em que me esquento debaixo das cobertas; como um sonho adolescente que surge após o almoço e alimenta os pensamentos antes do cochilo sagrado. É como a preguiça permitida em manhãs de domingo, como perceber que não é preciso trabalhar em um dia de feriado, após ser acordado em sobressalto pelo fiel alarme do relógio. Toda vez que me apaixono por ti é como a primeira ida até a praia, onde cada gota, cada grão e cada som tem um gosto diferente. É como um flash que ilumina na memória tempos esquecidos que brotam ao mexer numa caixa repleta de cartas antigas; é doce como a nostalgia de uma época feliz e sem preocupações. É como se todo filme romântico fosse ainda o primeiro, sem clichês, pleno, maravilhosamente original. Me sentir apaixonado por ti é como ser tentado todos os segundos pelo desejo mais puro da tua boca. É como pedir a Deus que o tempo pare - é não precisar de mais nada, é como ter atingido o objetivo desconhecido por trás disso que chamamos de viver.

E cada vez que me apaixono por ti, é também como um sonho despedeçado, que dói em pequenas pausas, bem fundo. É como estar preso eternamente por macias correntes de veludo, é estar tonto; é estar sóbrio depois de muitas taças de vinho; é absurdo. Toda vez que me apaixono por ti é como resistir ao prurido quando picado por um inseto, é ser ferroado por mil abelhas e não ter mãos para levar ao rosto ou pés para fugir. É ser corrompido pelos piores pecados; é vil, execrado. Porque toda vez que me apaixono por ti é como se o tempo houvesse parado - no angustiante exato segundo que precede o susto em um filme de terror. Estar apaixonado por ti é dois, é segredo, é o mais certo; é quase belo, completamente errado.

Toda vez que me apaixono por ti, esqueço.

19:16 - - Idem:

[24.11.07]

run, forrest

Tenho eu um problema com academias, especificamente com os dispositivos malignos conhecidos como esteiras. É angustiante. Para quem está do lado de fora.

Põem-se as gostosonas todas à caminhar com seus imensos bumbums baloiçantes e elas se desgastam, suam, esforçam-se; arfantes, correm, correm, correm, até querem - e nunca, nunca chegam até a mim. Máquina maldita.

10:31 - - Idem:

[21.11.07]

fatos e olfato

Fato 1: não gosto de aromas doces. Exceto, claro, em alguns certos casos, em certos pontos, em certos pescoços, em que me habituo, e até sinto falta daquela coisa ensandecida-entorpecente. Mas, de perfumes, sou mesmo apreciador dos cítricos.

Fato 2: não gosto de comprar. Compras me causam ansiedade e medo. Tenho receio de errar, de não fazer a melhor escolha, de me arrepender, de acabar comprando o modelo errado ou na época errada, pelo pior preço e de não ser algo estritamente necessário.

Nunca achei que estes dois pontos fossem interferir no meu universo em algo por demais importante: desodorantes. Eu uso, você usa - caso contrário, se retire da minha presença. Eu sempre tive problemas. Os roll-ons mancham camisas. Os sprays comuns são muito molhados. Os cremes, muito melequentos. Até que descobri os aerosóis. Estes, sim, são lindos. Funcionam, não molham, secam rápido, não contêm CFC, não destroem a camada de ozônio e cãibras só dia de terça. À noite. Enfim, há alguns poucos meses tenho feito uso dos tais.

Essa semana vou no supermercado renovar o estoque, o aroma específico que eu uso não se encontra na loja e eu estou com pressa. Apanho um qualquer, pressiono o botão contra a minha mão. O cheiro não é tão ruim. Pago as compras. Entro no carro, dirijo e fico a me perguntar que cheiro de travesti de um peito só é aquele que aflige as minhas narinas. CARACA, a porcaria do desodorante era doce demais. Muito demasiadamente doce demais e em excesso.

A primeira coisa que me vem à cabeça é: vou vender! Mas, durh, quem vende um desodorante usado, pelo amor dos filhotinhos de cachorros dálmatas da patagônia? Resolvido: vou comprar outro desodorante novo, com o cheiro que eu quero, e usar o desagradável para ir na academia pela manhã. Simples.

o o o

Mas quem quiser comprar, ainda tô vendendo. 20% de desconto.

19:06 - - Idem:

[18.11.07]

tell me why

Eu costumo ser bem apolitico nos meus textos, mas isso é intragável: oitenta e cinco porcento dos diagnósticos de câncer de pulmão são fruto do tabagismo. E o câncer de pulmão é o mais letal de todos. (revista Veja, Setembro 2007, pág. 112). As pessoas que fumam têm mau hálito, suas roupas cheiram mal e elas têm lugares exclusivos (ou seria excluídos?) para se acomodarem em restaurantes e afins (vida de iulo, constatações pessoais, página qualquer).

Eu perco toda e qualquer vontade de conhecer uma mulher ao ver que ela fuma - aliás, quero distância de todo ser humano com um fumo aceso. O cigarro tem milhares (e utilizando milhares eu não estou exagerando, é a verdade, todo mundo sabe) de substâncias tóxicas. Causa impotência, câncer na traquéia, abortos, envelhecimento da pele, feiúra e aspecto desagradável. São dezenas de contras que caminham lado-a-lado com esse hábito malfadado.

Daí surgem duas perguntas:

1. Que raios leva uma pessoa esclarecida a fumar e sofrer de todos os males citados acima? Sabe, é melhor tomar uma gota de chumbo ou de qualquer outro metal pesado diariamente. Deve matar mais rápido.

2. Eu até entendo que seja difícil, senão impossível, acabar com a indústria tabagista hoje em dia, dada a quantidade de dinheiro que esse povo tem. Mas como é que um produto que não passa de veneno conseguiu se firmar no mercado mundial, ser engoblado por leis e se tornar essa coisa gigantesca que mata pessoas todos os dias?

Acho que muitos seres humanos desconhecem o significado das palavras câncer, tóxico e impotência. Tem coisas que não dá pra entender nesse mundo.

o o o

Outra: faz muito tempo que fumar deixou de ser cool, ok? Grato.

22:15 - - Idem:

[15.11.07]

dump.l. g. fuad

Quero te amar mais, muito mais. Mais bonito. Mais forte. Mais sincero. E esse é meu teorema maior: esquecer os meus medos, os seus defeitos, toda dúvida. Minha mente grita ao longe teu nome tantas e tantas vezes, mas meu coração não escuta mais. Porque é teu sorriso que preenche minha mente como de costume, é o teu cheiro diário que me lembra como é bom não estar sozinho - mas eu quero fugir. Quero me perder. Não quero mais enfrentar incertezas ou aguardar que um dia isso tudo simplesmente se dissipe. Eu quero uma nova chance, um recomeço. Não quero mais ser esse clichê ambulante, essa fortaleza arco-íris desbotada de suas cores originais, esse hippie perdido em centro urbano que risca em paredes bobagens já enjoadas: contigo me sinto triste, sem você pode ser pior.

Quero despir todas as minhas exigências e entender o que é amor. Mas nesse eu não acredito, por mais que eu diga que sim, que eu grite que sim; que eu minta que sim. No meu coração tudo isso não é mais que um devaneio. Uma incerteza. Dor impossível de ser transcrita. Assim, feia, sem rimas nem compasso. Latejante.

o o o

But I don't wanna be lonely
I just wanna be alone

23:05 - - Idem:

[11.11.07]

dump.this world doesn't make any sense at all

Na boa, eu me sinto um estúpido. Um estúpido angustiado. Quanto mais leio, mais burro me sinto. Quanto mais conhecimento adquiro, mais os meus horizontes se expandem - mais medíocre e pequeno me torno. Quanto mais escrevo, menos sei escrever. Há muito a se saber, a se conhecer, a dominar. Esse lance de viver na era da informação tem um preço muito alto: ansiedade. Ansiedade monstra, caindo na veia em doses cavalares todos os dias em que acordo e há milhares e milhares de coisas para ler e estudar e consumir, ouvir, assistir. Amo ler, conhecer, adoro a dinâmica do mundo de hoje, mas confesso: tudo isso tem me fustigado violentamente.

E olha que eu resolvi saber sobre política o mínimo, abandonei os estudos do violão, parei de jogar games do tipo MMORPG, não perco tempo bisbilhotando os outros no Orkut, quase não conecto no MSN, terminei a faculdade e não gosto de desperdiçar tempo em conversas superficiais. Ainda assim não há tempo. Não há espaço, não há direção e não atenderam a minha requisição de alterar a duração do dia para 36 horas.

09:00 - - Idem:

[6.11.07]

black & white

Coisas divertidas para não se fazer no sabádo: ir ao cinema assistir filmes desconhecidos. O Cinemark tem uma promoção diária, onde a sessão das 15h custa 4 reais a inteira (para um filme escolhido por eles). Chego lá às 14h50, pergunto qual é a promoção do dia e o rapaz me responde: Sombras. Ok. E é o quê, drama, comédia? Drama. Beleza. Tem sinopse preu dar uma lida? Não. Tudo bem, 4 reais.. posso pelo menos dormir lá dentro.

Eu e minha companheira de aventuras do dia, Nay, compramos os ingressos, passamos pela porta e o cartaz com fundo branco e letras escuras dizia: Sombras. O primeiro filme de... Paro e penso: primeiro filme?, fudeu. Adentramos o recinto e de repente, oi?, começa a passar uma porcaria em preto e branco. Mas nada daquele p&b bonito, estilizado. Era aquele p&b ruim, velho, feio. Arcaico. Som abafado, trilha sonora do tempo que meu avô era gatinho. Letras enormes.

Passados 5 minutos de diálogos insuportáveis, atento para o fato de que a legenda está em português de portugal. Compreensível. Irritante, mas inteiramente compreensível. É aí então que vejo a luz no fim do túnel: vou obter meu dinheiro de volta. Saímos. Do lado de fora encontramos uma perua que devia ser a gerente (arrumada, usava somente um crachá que me permitiu identificá-la como funcionária): oi, eu quero meu dinheiro de volta. A legenda está em português de portugal e isso não foi informado em lugar nenhum. Penso comigo - ninguém avisou também que o filme era chato, sujo, velho e em preto e branco, obrigado.

Já pronto para uma briga, sou desarmado. A mulher responde presunçosamente: pois não, o gerente está te aguardando na bilheteria. Vou até o local, explico o meu caso, assino uns papéis, justifico a minha pseudo-revolta no tom mais sério possível, a atendente ri enquanto passa as informações para o gerente do outro lado do vidro e tenho lá os meus trocados de volta. Felizmente convertidos num Top Sundae.

Nunca mais.

21:44 - - Idem:

[4.11.07]

justus

Eu queria abrir um negócio paralelo ao meu trabalho para poder escolher nomes legais de empresas. Ou então eu poderia virar consultor de nomes de empresas. Sabe?, hoje em dia tá tudo muito batido. Eu cobraria 5.000 réis por nomes alternativos e alegóricos como:

Motel dos Computadores - Assistência Técnica Íntima ou
Frigorífico das Roupas - Onde sua roupa sai bonita e sem gordura ou...

o o o

Tá, parei.

15:57 - - Idem:

[2.11.07]

from another planet

Há uma problema grave de comunicação quando as pessoas não entendem ironia. Ontem fui na dermatologista, esperei DUAS HORAS pra ser atendido, fato que me tornou um ser mal-humorado ao extremo, elevando também duas características master controladas com remédios tarja preta do meu ser: ironia e sarcasmo.

Mas, cara, como assim a mulher não entendeu uma? Ela dava a deixa, eu ia lá com minha espada Jedi e ZAP!, toma-lhe sarcasmo, ordinária. E ela não compreendia, respondia como se eu estivesse tendo uma conversa normal, feito gente normal. Alôoo? Anybody there?

o o o

Aí eu desisti.

20:39 - - Idem:

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dump: textos antigos e guardados, nunca postados.
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divagar
errar ao acaso; vagabundear; sair arbitrariamente do assunto que estava sendo tratado; devanear; fantasiar.