do dia-a-dia
Em uma das padarias onde obtenho o alimento sagrado - pão - há uma promoção muito interessante. Um cartaz feito manualmente, afixado em local onde todos podem ver, emite a seguinte mensagem: pão dormido - 10 centavos. Sensacional. É que eu frequento somente locais da mais alta estirpe. Sou praticamente um lorde inglês. Um Legolas brasileiro, uma Ana Maria Braga nordestina. Praticamente.
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19:07 -
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dump.pictures
Te amo - não posso mais. Na minha contumaz vontade, não me convenço de que mudou. Não existe; tudo o que eu queria era uma chance para estar perto. Não para tornar tudo belo mais uma vez; mas para provar o sabor acre da tua pele e ouvir com desdém os gemidos que saem do teu peito; o som da sua costumeira voz, pausada e milimetricamente pontuada. Em pequenos arroubos esquentar o fluído frio que percorre a tua espinha, esse desconhecido vazio que gela teu coração, assim, como um espasmo involuntário que faz parar o tempo. Cravar sem dó os meus dentes na tua carne, estrangular com minhas mãos o seu corpo macio, que é a mais perfeita tradução do desejo. Sorver com vontade tua saliva azeda, me lambuzar com teu desamor; sentir com a língua cada pedaço teu que agora detesto e, de olhos fechados, atestar a todos os meus cegos sentidos que não te amo mais. Que nunca amei esta mulher nua que perambula meus ainda adolescentes devaneios. Que amei aquela menina, que há muito não existe.
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08:56 -
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old.quando é que tudo foi desabar?
Acordou zonzo, sentindo aquela dor lacinante no peito. Quis evitar, fechar os olhos novamente e esquecer que tinha de viver um novo dia. Mas era impossível. A luz já atravessara a janela do seu quarto como uma visita inesperada que aparece sem ligar, lembrando que a hora certa já há muito havia se passado. De qualquer forma, o mundo não parava para escutá-lo ou acudí-lo. Levantou calado, como se tivesse sido esquecido em uma viagem feita por todos.
Eram as noites tristes de sabádo que exalavam romance e amor por todos os cantos. Eram as luzes fracas das estrelas no céu urbano e uma lua linda que insistia em causar inveja. Era um futuro embaçado e insosso, cheio de suspiros. Era o vento frio que trazia um consolo solitário ao soprar de longe. As colchas de solteiro que pareciam grandes demais pra uma pessoa só. O chão que se tornou duro, mas sempre fora tão confortável para qualquer coisa. Eram fotos em preto e branco, era o receio do passado e o soluço do presente. O presente que parou enquanto as coisas não se colocavam no lugar - a falta de palavras nunca se fez tão presente.
Era sempre assim. Ao levantar, ao acordar, no decorrer do dia. Como se, quando menos esperasse, levasse um soco no lado esquerdo do peito e o coração parasse de bater. E quando batia novamente, como se o mundo todo entrasse em seus pulmões de uma só vez. A dor maior era recuperar o fôlego, que nunca quis voltar.
Não aguentava mais.
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00:15 -
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sinking ships
Faz mais de um mês que eu tô numa crise psicodélica de rinite/sinusite - quem tem, sabe como é. Da última ida ao otorrinolarinoginecologista saí com a receita de um creme vaginal e um tal de Salsep. Depois de ler a bula, fiquei impressionado em como eles conseguem transformar uma porcaria que nada mais é do que água misturada com sal em um super-incrível-mega derretor de meleca, utilizando-se para tal de uma linguagem super rebuscada e quase-científica. E ainda com figuras para ilustrar o uso do treco. Isso que eu chamo de agregar valor ao produto. Porque nada mais é que um soro fisológico 4 vezes mais caro.
Ah, e sempre vá a emergências inúteis. Onde já se viu, emergência de otorrinolaringologia? Doutor, estou morrendo, essa gripe não me deixa... alguém me ajude! Digam a minha mulher que eu a amo! Gaaahhhh! Mas o legal é que, por sua natureza inútil e praticamente irrelevante, a clínica coloca residentes para atender (segundo as más línguas). Residentes tais que, por sua natureza semi-profissional, são muito mais bem-humorados que os colegas já bam-bam-bams e deuses super-supremes da medicina e do mundo em geral. E do universo e além.
o o o
Adoro o capitalismo.
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14:25 -
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old.white shadows
Enfrentou dragões armado com gravetos em mãos. Lutou lutas vãs e sem porquês. Prendeu camisas com botões de flor. Soprou beijos em silêncio cortês. Deitou-se em gramas azulejadas sem cheiro. Correu por sobre ondas rosas de sonhos eternos. Chorou feridas feito criança. Viu um monstro crescer dentro da sua barriga. Ou seria no coração? Entregou-se inteiramente, e sem soltar as mãos, a emoções sem cabimento. Golpeou a muitos na caminhada. Arrependeu-se e sorriu sem jeito. Abriu os braços por abraços vãos. Deu abraços sem graça, assim de lado. Deu abraços de verdade, apertados e com carinho. Amou mulheres inexistentes e talvez tenha sido amado por elas também. Viu cada uma delas sumirem entre seus dedos da mesma forma que apareceram, como neblina se desfazendo com o calor da praia pela manhã. Amou as mulheres de verdade e viu que não era tão fácil assim. Continuou caminhando. Escreveu canções, permitiu-se desafinar. Rasgou papéis. Jogou fora lembranças. Engoliu ciúmes e passou mal. Chorou quando devia. E quando não devia ainda mais. Tomou a iniciativa de contar seus segredos banais. E ouviu trivialidades sem fim. Abriu os olhos procurando por um novo dia. Fechou os olhos ao percorrer palavras pelas letras do teclado. Sentou-se no chão, olhou para os lados, não encontrou ninguém. E só pôde dizer: Deus.
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09:57 -
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tu-tu-tu tu pá!
Assim, eu acharia mágico se o Sherlock Holmes ao invés de falar elementar, meu caro Watson; dissesse: elementar, cumpadi Washington. Caraca, eu ia chorar.
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15:42 -
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