carlinha
Eu realmente gosto de ligar para esses tele-atendimentos onde, antes de mais nada, pedem mil confirmações dos seus dados. A partir de agora, toda vez que eu ficar triste ligarei pra lá. É que os caras fazem perguntas para as quais você tem todas as respostas! Tem coisa mais sensacional que isso? Eu praticamente me sinto um Einstein ao fim de uma ligação dessas.
O cara pergunta meu nome completo e eu cá penso: “pô, essa é fácil, hein, bro?” e respondo voando. Aí ele começa as mais difíceis. Telefone, endereço, rua... no CEP você já fica meio cabrero, né? Aí vem a prova final!, informar o CPF! Putz, eu vou ao delírio, faço uma preparação como quem vai iniciar uma maratona, cuspo todos os números e a voz do outro lado responde: “correto, senhor!”. Nossa, orgamos-múltiplos-swingados-extra-siderais. É uma satisfação muito grande saber o meu próprio CPF, é uma carta de autonomia, sabe?, um atestado de sensualidade intelectual, é praticamente uma garantia de que eu posso, sei lá, comprar as minhas próprias roupas?
Sim, é uma satisfação! Quase um vestibular de medicina. Tem vezes que eu fico tão feliz com as perguntas, que desligo o telefone no meio e ligo novamente só para responder tudo mais uma vez. Uh-ru! Da próxima vez que me pedirem o CPF eu vou responder: “cara, vou dizer do fim pro começo, pode ser?”. E vai ser uma festa no mundo dos tele-atendimentos, apitos, confetes, gritinhos, vários atendentes se reunindo no computador da pessoa que está falando comigo e um cartaz em cima dele dizendo: “este funcionário atendeu ao mais inteligente dos clientes!”. Muitos vivas e hip-hip-urras!
Imagina no dia em que eu falar o meu CPF na língua do P, de cabeça pra baixo e em espanhol? Véi, a galera não vai se dar!
Eu sou mesmo um gênio.
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muu
Eu ando surtado com esse lance de comida. Não consigo mais comer nada industrial em paz por causa dessa história de gordura trans. Aí tiraram a trans e colocaram um óleo de não sei que raios pra substituir a trans, que é menos nocivo e tem quase a mesma função da trans (deixar o alimento crocante e sensual). Porque a trans, além de aumentar o colesterol ruim, diminuía o colesterol bom.
Mas o novo componente que substitui a gordura trans - que eu vou chamar de óleo de árvore de natal, porque eu não lembro o nome e tenho preguiça de procurar no Google - não reduz os níveis de colesterol bom, mas em compensação triplica a quantidade de gorduras insaturadas existente nos alimentos. É verdade, eu não sei o que nada disso significa; eu sou como um daqueles camponeses que saem correndo ao menor grito de OS INIMIGOS ESTÃO CHEGANDO, mesmo que os inimigos sejam, sei lá, uma manada de ratos.
Eu só sei que não quero morrer estragado, e muito menos me tornar um velho capenga sem saúde, com uma perna de pau e um tapa-olho (?).
O lance é que, veja que absurdo, agora o limite recomendado pelas organizações mundiais de saúde (mas no plural, iulo?), é de 3 bolachas de sal (o exemplo das bolachas de sal é para tomarmos como parâmetro geral, amigos dromedários!). Imagine, quem é o ser humano que pára pra comer bolachas de sal e come somente 3?
- Ih, já comi 3 bolachas de sal, é melhor parar, o óleo de árvore de natal vai entupir o meu cerébro.
Eu não sei mais o que fazer, comida industrializada tem tanta porcaria que eu vou enfiar biscoito no tanque de gasolina do meu carro pra ver se ele anda mais rápido.
O fato é que agora eu como biscoitos com peso na consciência. E a moda de TODOS os produtos é fazer propaganda na embalagem: 0% de gordura trans. Das primeiras vezes que li isso nos pacotes, eu fiquei feliz. Agora, ao invés disso me acalmar, me deixa tenso. Porque ontem foi gordura trans, hoje é óleo de árvore de natal, amanhã vai ser o quê? Tem gente aí me chamando de lunático, mas no dia que você acordar banguela, com um terceiro olho no meio da testa, sem pinto e com um rabo, aí eu quero ver.
Pare pra pensar, é como se na época medieval você adentrasse numa taverna e levasse uma garfada nas costas, assim de grátis, fato corriqueiro. Aí o rei da terra média se rebelou e proibiu isso, por causa dos males que isso causava à população. Então as tavernas passaram a colocar nos seus letreiros: venham tomar a mais pura cerveja de cabritos montanheses - 0% de garfadas. Como assim, cara? Eu tenho que ficar feliz porque os infelizes tiraram a gordura trans que me FAZIA MAL? Pior que eles são descarados e escondem toda a verdade. Agora você não toma mais garfada ao entrar na taverna, em compensação, o garçom tuberculoso cospe na sua bebida (metáfora para o óleo de papai noel, alôw?) todas as vezes e ninguém vê.
Outra, quem são essas organizações mundiais de saúde? Quem se organizou? Quem começou tudo e porquê ninguém me chamou? Como é que elas conseguem medir a quantidade exata de miligramas de nanos de milisegundos de certos componentes existentes na comida? Eles possuem teraupetas especializados em conversar com os alimentos? Oi, você aí brigadeirão, quantos gramas de aminoácidos você possui? Pode revelar, rapaz... olha lá, a receita federal vai te pegar, hein cara?
Melhor ainda!, como é que eles conseguem saber qual é a quantidade máxima de gordura do tipo pseudo-neuronal-amniótica-explosiva que meu corpo consegue suportar diariamente?
Eu não sei. Eu sei que a partir de agora só posso comer 3 bolachas de sal. Até o dia em que eles descobrirem que comer, como um todo, faz mal e mata. Eu vou virar um monge budista e me alimentar somente de grama. Eu vou virar o Mahatma Vaca. Um ser sábio e ruminante.
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oooh wah ooh
Já falei várias vezes que eu sou do tipo viciado em música e sempre ando propagando por aí o fardo que é carregar os meus quase 40 Gb de mp3. O efeito reverso disso é que grande parte das coisas novas que ouço acaba se tornando muito comum, as exigências aumentam, e tudo soa muito enfadonho (e repetitivo).
Mas a inglesa Sophie Madeleine merece uma pausa. Vai lá no site dela e ouve todas músicas. Ela canta bonito demais, agudos lindos, arranjos simples, toca um ukulelê que é uma beleza, escreveu quase todas as músicas sozinha, tocou quase todos os instrumentos (o que inclui ainda violão, teclado and more) e fez os próprios backing vocals. Sem falar que ela masterizou e mixou tudo sozinha num estúdio.
Artista independente fodástica.
A versão gravada em estúdio da primeira música (que dá pra ouvir no site indicado acima) tá bem melhor, mas aqui tem uma live-canja:
Eu tenho um parâmetro pessoal (e sem muito nexo, vai lá) pra medir a qualidade de um músico que é a razão "músicas.boas per álbum". Eu simplesmente tenho preconceito e não costumo escutar esses cantores que têm UMA música boa e o resto lixoso. Sophie Madeleine tem uma razão 1 - ou seja, 10 músicas no álbum, 10 músicas excelentes!
Emocionei mesmo.
Olha as letras.
And cry.
o o o
I'm going to write myself a letter.
A letter that will make me feel alright.
I'll read it to myself five times or seven.
But I can't deny
I'm going to need a little more than just some thought that I adore to keep me warm at night.
To keep me warm at night.
(the knitting song)
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dica de verão: ovo no microondas
Ingredientes
-1 ovo (uau)
-Margarina
Utensílios
-1 refratário pequeno de vidro, com tampa
Em caso de não possuir refratário com tampa, um potinho de servir sobremesa com um pires em cima quebra o galho totalmente.
Nota: dizem que se você tentar preparar a coisa toda num refratário com tampa plástica, daquelas que ficam bem fechadinhas, a coisa toda explode, formando um buraco negro que vai sugar toda a sua cozinha (é sério). Então não tente. Tem que ser tampa folgadinha.
Preparo
Passe um pouco de margarina (é pouco mesmo, não é pra fazer sopa) no refratário e leve ao microondas (não precisa tampar ainda) por 10 segundos (é o suficiente pra desderreter a margarina). Quebre o ovo, coloque dentro do refratário, fure a gema com um garfo, fure o garfo com a clara, pingue um pouco nos olhos, coloque uma pitada de sal (no ovo, nos olhos dói bastante) misture um pouco (sério, misture, como se quisesse fazer um ovo mexido, senão fica ruim). Tampe e coloque tudo de volta no microondas por 50 segundos (aqui em casa foi o bastante; da vez que coloquei 1 minuto inteiro ouvi um "POUCH" surdo e fiquei tenso). Pronto.
Apesar do resultado ficar parecendo um sorvete aerado, bon appetit!
o o o
Obs¹: eu tenho medo mortal de microondas. Então, quando ligar o aparelho corra desesperadamente pra fora da cozinha. Ondas ultra-violetas-radioativas podem derreter o seu cabelo. Lembre-se de, ao correr, levantar os braços para cima e balançá-los com força e sensualidade.
Obs²: eu quase tenho certeza de que apesar das receitas mandarem colocar a tampa (ou pires?), ela não é exatamente necessária. E a margarina também deve ser só frescura. Mas eu ainda estou bastante amedrontado para tentar sem a tampa. É o próximo passo. Pode crer.
Obs³: este blog e seu autor não se responsabilizam por retardamentos genéticos (ou ambientais) por parte dos queridos leitores, nem por eventuais acidentes, nem pela bronca que a sua mãe vai te dar se você quebrar o refratário dela.
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